Infância Urgente

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Claude Monet

W. Shakespeare


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhar adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas. Pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens:
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que, com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Encontro do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos

NESTE ENCONTRO SERÁ DEFINIDO A COORDENAÇÃO DOS EIXOS TEMÁTICOS E CONTINUIDADE DO PLANO DE TRABALHO.

DATA; 04/04/08
HORÁRIO: 15 ÀS 18h
LOCAL: FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP

BL B - AV DA UNIVERSIDADE, 308

SALA 121 GT educação e mídia
SALA 124 GT educação não formal
SALA 126 GT educação, justiça e segurança
SALA 128 GT educação básica
SALA 149 GT educação superior

terça-feira, 1 de abril de 2008

Manabu Mabe

Juiz, Conselho Tutelar de Fenandopólis e esclarecimentos.

Car@s,

Tenho esse blog a dois anos, utilizando endereço diferente, esse pela facilidade e recursos penso ser a última morada desse pequeno espaço.

Digo isso , porque é necessário fazer alguns esclarecimentos para que os eleitores possam entender a função desse blog. Ele foi criado com a intenção de ser um espaço de informação, comunicação, debates, reflexões etc sobre a temática criança e adolescente. Propondo a discutir a política, a legislação, as inovações, as dificuldades e denunciar as inúmeras mazelas que ainda não foram superadas e como diria o nosso maior poeta, nem ao menos colocadas .

Felizmente, parece que vem cumprindo esse papel pelo número de acesso, participação, informação que me são encaminhadas , os comentários que são feitos por pessoas, com alertas de equivocos sobre determinadas informações erradas(felizmente só uma até agora) , são termômetros de que esse blog está cumprindo um papel importante.

Esse blogueiro acredita assim, que está dando uma grande contribuição do ponto de vista da informação e principalmente da comunicação de tod@s aqueles e aquelas que lutam para a efetivação do direitos humanos do meninos e meninas do país.

Claro, que sei também que quando recebemos denuncias, criam-se expectativas , porque a denuncia chega carregada de indignação por está acontecendo uma violação e nada está sendo feito, o que nos coloca em uma condição e um grande sentimento de impotência.

Como blogueiro, contribuo para a disseminação de idéias e reflexões, porém tem um papel dentro do movimento social de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, então além de militar nesse espaço da contra-informação(é isso que é esse espaço, pois a grande mídia só deforma e não informa, então o meu papel é contra hegemônico) , também milito orgânicamente no espaço do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de SP.

O espaço do Fórum DCA, é o espaço que o movimento social da criança começou a construir a 20 anos, para reunir tod@s aquel@s que lutavam e lutam para a construção de uma outra sociedade para noss@s menin@s.

É no espaço dos Fóruns que são feitas as lutas coletivas, é aonde nos fortalecemos, que saímos dos nossos lugares individuais e pensamos para além de qualquer pequeno interesse. Também é aonde nos juntamos para fazer a luta dos desvios históricos que são cometidos , principalmente aqueles que já tem sedimentado as suas praticas o desrespeito contra as crianças e adolescentes, repetindo o autoritarismo e adultocêntrismo tão presentes no cotidiano do nosso povo.

Quando nos deparamos com situações como essa de Fernandopólis, nos deixam muito indignados, claro que a indignação por si só não resolve,precisamos sair da indignação para a ação. Recentemente saiu uma pesquisa, que dizia que o brasileiro não lutava pelos seus direitos, para não causar atritos! Vejam meus leitores e militantes que contra censo! Sem luta e que serão muitas, não mudaremos e arrancaremos de nós , como diria um antigo pensador, os males que se instalaram em nossa cultura.

Eu queria falar a pessoa indignada de Fernandopolis que não adianta só tirar um Juiz , Promotor ou um Conselho autoritário, é preciso mais, muito mais ! A mudança cultural, necessita de luta e de um debate permanente, para que o nosso povo reconheça o seu lugar, os males que tem imposto a nossa infância, que entenda esse lugar e a importância de uma legislação como o ECA, que possibilita-nos desconstruir as armadilhas que nos colocamos ao longo desses 5 séculos , porém não acredito que esse caminho possa ser feito isoladamente e só com indiganação, temos que encontrar nossos espaços e pares e ai , não vejo outro lugar que não o espaço do Fórum DCA, que pode começar a ser constituído por um grupo de pessoas e entidades, que poderão debater tudo o que diz respeito a criança e ao adolescente, inclusive as praticas que levam ao não direito.

Não, sei se respondo as angústias, mas acredito piamente que se encontrarmos esse lugar, as mudanças poderão ocorrer e para não nos afligirmos mais, temos que ter clareza que essa mudança é processual, que estaremos apenas retirando tijolos de uma casa velha, para começarmos ainda daqui a alguns anos, a construção da nova morada desse novo pensamento.

Poesia da Esperança…

A esperança é herança divina.É raíz que consola e ilumina.É o combustível que nos faz funcionar.Tomar decisões sensatas e enfrentaras batalhas da vida com a certezade conquistar e viver com firmeza.A esperança é virtude que não paralisa,impulsiona para o futuro - é ativa!Nos mantém firmes na rota certa,mesmo quando a vida parece incerta.Seu poder e serenidade nos conduz.Nas perdas da vida é a nossa luz.Faz esquecer o passado…Encaminha ao que é sagrado.Revela possibilidades.Faz vencer adversidades...

Daniel S. Leite

segunda-feira, 31 de março de 2008

A intolerância

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 13

Vejam quem fala que quer mudar ou mudou , apesar de ser uma atividade contratada de uma forma que discordamos que a Febem/Casa, conduz a sua política trabalhista(terceirizando atendimento), sabemos também que muitas entidades prestadoras de serviço a Febem/Casa , tem problemas com a justiça,mas dispensar 100 educadores que desenvolvem atividades culturais com os adolescentes sem que se tenha uma alternativa, rompendo vínculos abruptamente, não é mesmo um bom caminho e nem renovação das praticas, como alardea a Febem/Casa.


Na sexta-feira (28/03/2008) foi reincidido sem aviso prévio o contrato do Instituto Mamulengo Social, que tinha 100 educadores . O que agrava a situação do atendimento socio-educativo previsto no ECA, pois a partir de hoje (31/03/2008) todas as unidades da Fundação CASA (Capital, Interior e Litoral) estão com as atividades de arte-educação suspensas por tempo indeterminado.

Além da situação dos adolescentes, os trabalhadores também se tornam joguetes e seus direitos trabalhistas desrespeitados.

A pergunta continua. Mudou o que mesmo?

sábado, 29 de março de 2008




"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão o que mais assusta."


Nelson Mandela

1,4 mi de crianças até 13 anos trabalham

Pesquisa do IBGE mostra que 57,4% dos adolescentes de até 17 anos que trabalham não são orientados para prevenir acidentes

Lei proíbe trabalho para crianças e adolescentes com menos de 14 anos; as de 14 a 15 anos, podem trabalhar, desde que como aprendizes

DA SUCURSAL DO RIO

Apesar de proibido por lei, em 2006, 1,4 milhão de crianças e adolescentes de cinco a 13 anos estavam inseridos no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, de 2004 a 2006 não houve alteração no nível de ocupação no período, estimado em 4,5%. Nesta faixa etária, 60% das crianças e dos jovens ocupados trabalhavam em atividades não remuneradas.
A legislação brasileira proíbe o trabalho sob qualquer forma para crianças e adolescentes com menos de 14 anos. Os adolescentes de 14 e 15 anos podem trabalhar, desde que na condição de aprendizes. Em 2006, 5,1 milhões de crianças e jovens de cinco a 17 anos trabalhavam. Segundo o IBGE, apesar do número elevado, há sinais de melhora, como a redução do nível de ocupação, nesta base de comparação, de 11,8% em 2004 para 11,5% em 2006.
De acordo com a pesquisa, o trabalho infantil interfere na freqüência à escola. A taxa de escolarização dos jovens de 14 ou 15 anos ocupados é de 84,2%. Entre os que não trabalham, o percentual chega a 93,7%. Para os jovens de 16 ou 17 anos, a taxa dos que trabalham é de 70,8% contra 82,4% entre os não ocupados.
A pesquisa estimou ainda que o percentual de crianças e jovens de 5 a 17 anos sem instrução ou com menos de um ano de estudo chega a 28% entre os que trabalhavam. Entre os não ocupados, era de 15,7%.
"O cenário do Brasil no combate ao trabalho infantil é de estagnação", disse Isa Maria de Oliveira, secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. Para ela, a integração do Bolsa Família ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil não fez diferença.
A secretária nacional da Assistência Social, Ana Lígia Gomes, destaca que, além da questão econômica, o trabalho infantil está relacionado a um fator cultural. "Não adianta simplesmente proibir, é preciso um pacto da sociedade em não tolerar mais esse tipo de trabalho." A pesquisa mostra relação direta entre renda e trabalho infantil: 77% de crianças e jovens de cinco a 17 anos que trabalhavam moravam em domicílios com renda per capita menor do que um salário mínimo.
"Há uma questão cultural que tem origem na cultura escravocrata brasileira, de que trabalhar contribui para a formação do caráter e protege do ócio e da marginalidade, mas essa receita de trabalho é usada somente para crianças pobres", afirmou Oliveira.

Sem orientação
A pesquisa mostra que 57,4% das crianças e adolescentes de cinco a 17 anos que trabalhavam não receberam qualquer tipo de orientação para evitar machucados ou doenças no trabalho, o equivalente a 2,9 milhões de pessoas.
Do total de trabalhadores nesta faixa etária, 273 mil tiveram algum machucado ou doença em razão do trabalho.
Segundo Cimar Pereira, do IBGE, o número pode ser ainda maior porque em alguns casos as crianças podem não mencionar ferimentos leves. Mesmo assim, 157 mil tiveram de se afastar pelo menos um dia do trabalho em decorrência de machucados ou doenças.
Os ferimentos ou doenças podem ocorrer em razão da fragilidade ou da inexperiência das crianças no manuseio de enxadas, facas, foices, máquinas de moer e agrotóxicos.
A jornada de trabalho em 2006 para crianças e jovens era em média de 26 horas semanais. No total, 41,4% dos ocupados de cinco a 17 anos trabalhavam em atividades agrícolas. No Nordeste, entre os de cinco a 13 anos, o percentual de ocupados no campo chega a 69%.

Fonte: Folha de São Paulo www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2903200825.htm

Menina, Amanhã de Manhã

Monica Salmaso



Menina , amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
De baixo da cama ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
Menina, ela fecha a roda
Menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado

Menina, olhe pra frente
menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção de manhã

Menina a felicidade
É cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça

Menina, a felicidade
É cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono

Menina, a felicidade é cheia de ano,
É cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de onu

Menina, a felicidade
É cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on

Menina, a felicidade é cheia de a,
É cheia de é, é cheia de i, é cheia de ó

É cheia de a, é cheia de é,
É cheia de i, é cheia de ó

Histórias de quem foi algoz e vítima em casas de reclusão

Monitor da Fundação Casa (ex-Febem) desde meados da década de 1990, L. conheceu a tortura logo no seu primeiro dia de trabalho. Durante uma revista, encontraram facas artesanais escondidas no dormitório de um interno, que foi então levado para um canto e espancado por dezenas de funcionários - sob o olhar do próprio diretor local. O agente novato acompanhava a cena, assustado. Até que recebeu a ordem para bater também. "É assim que funciona", conta ele. "Se você não bater, você não serve".
Atualmente, L. está afastado, cumprindo licença médica. Toma remédios para depressão, convive com crises de fúria e com problemas relacionados ao alcoolismo. Tudo isso, diz ele, é resultado do ambiente de tensão, violência e ameaças na Fundação. Entre 1998 e 2002, 60% dos afastamentos de profissionais na instituição se relacionavam a quadros de transtornos mentais. Dados de novembro de 2005 indicavam que 11% dos funcionários estavam fora do serviço por problemas de saúde.
"Quando você entra lá, ninguém te diz o que fazer", relata W., hoje aposentado, depois de mais de 15 anos como monitor na Febem. Nesse contexto, conta ele, os colegas de equipe viram a principal referência, por meio de uma série de regras não escritas. Por exemplo, é considerado um "parasita" quem não age com veemência nos momentos de tensão - repressão de conflitos, pressão para extrair informações de internos, etc.
Também é tratado com desconfiança aquele que mantém relações algo mais próximas, de mínima cordialidade com os jovens. Para W., tal situação encontra paralelo nos próprios códigos de conduta que norteiam os internos - já que, entre eles, acaba taxado de "pilantra" quem é visto como muito ligado aos monitores. "As regras são parecidas para os dois lados", reflete.
Tanto L. quanto W. relatam histórias de rebeliões nas quais foram feitos reféns. Carregam marcas de torturas - queimaduras e perfurações feitas por objetos cortantes - além de uma profunda descrença no pretenso papel de ressocialização desenvolvido pela instituição. "Dizem que você vai ser um educador, mas você vira um cão de guarda", desabafa W.
Para piorar, a tensão e medo não se restringem aos muros da Fundação. L. conta que, certa manhã, abriu a janela e viu um ex-interno trabalhando na feira que ocorre em frente à sua casa. "Ele me reconheceu", recorda. "Depois disso, mudei de casa."
Z., outro ex-funcionário da instituição, afirma esconder até hoje do filho de 15 anos que já foi um agente da Fundação. "Se ele conta para outros e a informação chega às pessoas erradas, matam o meu filho", acredita. "Pra mim, hoje em dia, todo mundo é suspeito."
Dependente de remédios para dormir, W. está divorciado desde 2001. "Agia em casa como se ainda estivesse dentro da Febem. Extravasava batendo nos meus filhos. Lidava com eles da mesma forma como tratava os infratores." Começou o que ele chama de "isolamento". Hoje evita sair de casa, e, quando está na rua, mantêm-se em alerta constante, procurando na multidão o rosto de ex-internos. "Já tomei três enquadros de gente que conheci lá dentro", diz.
Toda essa conjuntura, declara ele, afetou sua personalidade. "Hoje eu perco amizade fácil, não tenho mais confiança em ninguém", explica. "Fiquei metódico. Quero controlar tudo. Rádio alto, banho demorado, tudo me incomoda". Desmanchou namoros por conta das dificuldades de relacionamento, e os próprios filhos já não o visitam faz tempo. "Mas quer saber? Eu não estou fazendo mais questão de nada", desabafa.
Leia também as duas primeiras partes do Especial - Tortura:
Violência contra detentos perdura e questiona poder do Estado
Impunidade e monitoramento débil favorecem abusos
*Esta série de reportagens foi publicada em parceria com a revista Problemas Brasileiros

Fernandopólis , Juiz e CT

O Juiz de Fernandopólis e o CT tem sido mal exemplo e constantemente é utilizado como o mal exemplo, tanto do Juiz como do CT. O que a população de Fernandopolis ou quem se sinta prejudicado tem que fazer é denunciar esse Juiz na corregedoria do judiciário, por abuso de autoridade e descumprimento da lei.

O Conselho Tutelar deveria ser denunciado por seus desmandos ao MP e Judiciário, porém como você relata, na verdade tem agido como braço auxiliar do Poder Judiciário e pela falta de manifestação me parece que o MP tem sido conivente com toda a situação, essa é uma daquelas situações que se não resolver um problema, não se resolve o outro, logo o que tem de mais imediato é solucionar essa situação do Juiz.