da Associated Press, na faixa de Gaza
A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou relatório nesta quinta-feira no qual indica que 257 crianças palestinas morreram e 1.080 ficaram feridas durante os 14 dias da ofensiva israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza. No total, ao menos 760 palestinos e dez soldados israelenses morreram.
As crianças representam mais de metade da população de cerca de 1,5 milhão de palestinos na faixa de Gaza e pouco mais de um terço das vítimas dos ataques israelenses --que acusam o Hamas por usar as crianças e mulheres como escudos nos confrontos com seus soldados.
Diante dos constantes bombardeios e confrontos entre Israel e Hamas, os números podem variar. Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, dos 760 mortos, ao menos 169 tinham menos de 17 anos. Já a Unicef, agência da ONU para crianças, ao menos cem crianças e menores foram mortos nos dez primeiros dias do confronto.
"Nós estamos falando de uma guerra urbana", disse Abdel-Rahman Ghandour, porta-voz da Unicef para o Oriente Médio e norte da África. "A densidade da população é tão grande que é muito fácil acertar crianças. Este é um conflito único, onde não há lugar para ir".
gerações sucessivas de crianças cresceram em meio a um cenário de violência em Gaza. No final dos anos 80, muitas delas atiraram pedras contra os soldados israelenses em uma revolta contra a ocupação. Na segunda Intifada, iniciada em 2000, algumas foram recrutadas pelos militantes para serem homens-bomba.
"O mais difícil para as crianças é o senso de que nenhum local é seguro e de que os adultos não podem protegê-las', disse Iyad Sarraj, psicólogo que se protege em seu apartamento na Cidade de Gaza junto aos quatro enteados. Segundo Sarraj, um deles, Adam, 10, tem ataques de asma toda vez que os bombardeios começam.
Crimes de guerra
A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira investigações "críveis e independentes" sobre eventuais violações do direito humanitário internacional nos confrontos em Gaza, o que pode configurar crimes de guerra, como o ataque a locais que abrigam civis.
A ONU denunciou nos últimos dias os ataques israelenses a escolas e uma casa que abrigavam civis palestinos e a um caminhão que levava ajuda humanitária à região e que estava, segundo a agência, devidamente identificado. Segundo a ONU, 42% das cerca de 760 vítimas dos 14 dias da ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas são crianças e mulheres.
Pillay pediu o envio de monitores de direitos humanos da ONU para Israel, Gaza e a Cisjordânia, a fim de documentar violações e apontar autores. "O círculo vicioso de provocação e retaliação deve ser encerrado", disse Pillay numa sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, um dia depois de uma resolução do Conselho de Segurança que exige um cessar-fogo imediato e que foi rejeitada por Israel e Hamas.
"A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada. Como primeiro passo, investigações críveis, independentes e transparentes precisam ser realizadas para identificar violações e estabelecer responsabilidades", disse.
Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, afirmou ainda que as violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, "para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".
Israel mantém os ataques aéreos, navais e terrestres mesmo diante da crescente pressão internacional por um cessar-fogo. A ONU, assim como outras organizações humanitárias, condenam Israel pela morte de civis em Gaza.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Crise humanitária em Gaza se agrava de hora em hora, diz ONU
A crise humanitária na Faixa de Gaza piora "de hora em hora", alertou nesta quinta-feira a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (Unrwa), que suspendeu todas suas atividades humanitárias depois que obuses do Exército israelense atingiram um de seus comboios, deixando um morto.
"A crise humanitária se agrava de hora em hora", colocando 1,5 milhão de palestinos bloqueados no território em uma "situação crítica", declarou o porta-voz da agência em Gaza, Christopher Gunnes.
A Unrwa considerou insuficiente a interrupção diária dos confrontos, por parte do exército israelense, pelo período de três horas.
"Do ponto de vista operacional, três horas não fazem nenhuma diferença", declarou a porta-voz da agência em Genebra, Elena Mancusi Materi.
"Temos de distribuir a comida para 750 mil refugiados em Gaza e não podemos fazer isso em três horas", ressaltou.
Endossando o coro dos atores humanitários, a Unrwa voltou a insistir na necessidade de um cessar-fogo permanente para permitir que as operações de ajuda às vítimas aconteçam com toda segurança.
"A situação continua muito volátil e muito perigosa para nossos funcionários", insistiu Gunnes.
Segundo a Unrwa, os corredores humanitários propostos pelas Forças Armadas israelense ainda devem ser estabelecidos "corretamente". Os eixos viários utilizados pelos militares israelenses atrapalham a organização da ajuda, ou a possibilidade, para seus beneficiários, de se deslocar para receber os víveres. Hoje, 1 milhão de pessoas estão sem luz, e 750 mil estão sem água, acrescentou Gunnes.
"Dispomos de reservas alimentares para alguns dias, não por semanas", insistiu, acrescentando que, se o ponto de passagem de Karni com Israel não for reaberto, "não há nenhuma dúvida de que as pessoas ficarão com cada vez mais fome".
"As pessoas já estão nos dizendo que têm fome, e essa insegurança alimentar cresce", completou o porta-voz da agência da ONU, lembrando que alguns lugares da Faixa de Gaza continuam isolados e afastados de qualquer ajuda humanitária.
A situação sanitária também é dramática.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o sistema médico palestino está "à beira do colapso", com hospitais sobrecarregados, pessoal médico esgotado fisicamente de trabalhar sem parar, por quase duas semanas. Os hospitais estão funcionando, graças a geradores, que poderão parar a qualquer momento devido à falta de combustível, acrescentou a OMS.
"Todos os programas de vacinação foram interrompidos em 27 de dezembro", anunciou a OMS, que teme o ressurgimento de doenças normalmente combatidas por essas vacinas, caso os programas não sejam retomados logo.
AFP
"A crise humanitária se agrava de hora em hora", colocando 1,5 milhão de palestinos bloqueados no território em uma "situação crítica", declarou o porta-voz da agência em Gaza, Christopher Gunnes.
A Unrwa considerou insuficiente a interrupção diária dos confrontos, por parte do exército israelense, pelo período de três horas.
"Do ponto de vista operacional, três horas não fazem nenhuma diferença", declarou a porta-voz da agência em Genebra, Elena Mancusi Materi.
"Temos de distribuir a comida para 750 mil refugiados em Gaza e não podemos fazer isso em três horas", ressaltou.
Endossando o coro dos atores humanitários, a Unrwa voltou a insistir na necessidade de um cessar-fogo permanente para permitir que as operações de ajuda às vítimas aconteçam com toda segurança.
"A situação continua muito volátil e muito perigosa para nossos funcionários", insistiu Gunnes.
Segundo a Unrwa, os corredores humanitários propostos pelas Forças Armadas israelense ainda devem ser estabelecidos "corretamente". Os eixos viários utilizados pelos militares israelenses atrapalham a organização da ajuda, ou a possibilidade, para seus beneficiários, de se deslocar para receber os víveres. Hoje, 1 milhão de pessoas estão sem luz, e 750 mil estão sem água, acrescentou Gunnes.
"Dispomos de reservas alimentares para alguns dias, não por semanas", insistiu, acrescentando que, se o ponto de passagem de Karni com Israel não for reaberto, "não há nenhuma dúvida de que as pessoas ficarão com cada vez mais fome".
"As pessoas já estão nos dizendo que têm fome, e essa insegurança alimentar cresce", completou o porta-voz da agência da ONU, lembrando que alguns lugares da Faixa de Gaza continuam isolados e afastados de qualquer ajuda humanitária.
A situação sanitária também é dramática.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o sistema médico palestino está "à beira do colapso", com hospitais sobrecarregados, pessoal médico esgotado fisicamente de trabalhar sem parar, por quase duas semanas. Os hospitais estão funcionando, graças a geradores, que poderão parar a qualquer momento devido à falta de combustível, acrescentou a OMS.
"Todos os programas de vacinação foram interrompidos em 27 de dezembro", anunciou a OMS, que teme o ressurgimento de doenças normalmente combatidas por essas vacinas, caso os programas não sejam retomados logo.
AFP
Reunião do Fórum Municipal DCA -SP
O Fórum Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente de São Paulo, por intermédio de sua Comissão Executiva, vem, através desta, convidar para participar da primeira reunião ordinária de 2009, a realizar-se no dia 10 de janeiro, das 9h às 13h, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, situada na Rua Dr. Cesário Mota Jr., nº 262 (acesso pelo metrô Santa Cecília, próximo ao Hospital Santa Casa)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
PASSEATA PELO FIM IMEDIATO DOS ATAQUES À FAIXA DE GAZA
Amigos e amigas,
Todos temos acompanhado o genocídio que vem sendo praticado por Israel na Faixa de Gaza. O número de palestinos mortos já passa de 600. A população civil está sem água, luz ou alimentos. E também sem qualquer proteção, como prova o ataque recente à escola das Nações Unidas.
Para protestar contra esse massacre sem sentido, violação absurda dos direitos humanos, dezenas de organizações da sociedade civil convocaram uma passeata para o próximo domingo:
Data: 11/01, domingo
Horário: 10h00
Local: MASP (av. Paulista)
Um protesto de massas será um importante instrumento de pressão contra todo esse sofrimento.
Por favor, divulguem o máximo possível e compareça
Todos temos acompanhado o genocídio que vem sendo praticado por Israel na Faixa de Gaza. O número de palestinos mortos já passa de 600. A população civil está sem água, luz ou alimentos. E também sem qualquer proteção, como prova o ataque recente à escola das Nações Unidas.
Para protestar contra esse massacre sem sentido, violação absurda dos direitos humanos, dezenas de organizações da sociedade civil convocaram uma passeata para o próximo domingo:
Data: 11/01, domingo
Horário: 10h00
Local: MASP (av. Paulista)
Um protesto de massas será um importante instrumento de pressão contra todo esse sofrimento.
Por favor, divulguem o máximo possível e compareça
Mortes infantis ultrapassam uma centena
Ainda que conflitantes, as estimativas de crianças palestinas mortas na ofensiva israelense na faixa de Gaza superaram cem ontem, motivando alertas de que os bombardeios e o bloqueio contínuo possa levar a nova geração a apelar à violência.
Em Londres, a ONG Save the Children relatou que sua "estimativa conservadora", feita antes do ataque à escola no campo de refugiados de Jabaliya, era de cem crianças mortas em 11 dias. Fontes médicas de Gaza ouvidas pela agência France Presse contabilizaram 159 crianças, enquanto o "Financial Times" atribuiu a autoridades médicas de Gaza o número de "ao menos 115".
"Quando criança, cresci durante a primeira Intifada [1987-1993] e lançava pedras. A geração seguinte de palestinos produziu homens-bomba suicidas. Não consigo ver a chance de a próxima geração se tornar mais moderada", disse Mahmud Abo Rahma, funcionário do Centro Al Mezan pelos direitos humanos em Gaza.
"Estão aterrorizados. Os bombardeios não param, e não há descanso. Isso pode impactar as crianças por meses ou anos mais. Elas ficam sentadas com seus pais e ouvem rádio, sobretudo a estação controlada pelo Hamas, que só divulga sons de explosões, gritos e noticiário sobre os mortos" afirmou Sajy Elmughanni, coordenador do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Antes mesmo da ofensiva israelense, cerca de 50 mil crianças sofriam de desnutrição em Gaza -decorrência do bloqueio ao território, cujo crescimento populacional é um dos maiores do mundo (3,42% ao ano), segundo a CIA. Como consequência, 44% do 1,5 milhão de habitantes da faixa de Gaza têm até 14 anos.
Corredor humanitário
O premiê Ehud Olmert anunciou ontem que Israel abrirá um corredor humanitário, possivelmente hoje, para mitigar a crise agravada pela ofensiva no território.
O corredor dará acesso periódico limitado a determinados pontos da faixa de Gaza, a fim de permitir o abastecimento dos palestinos com artigos de primeira necessidade.
Os detalhes do programa seriam definidos pelo setor de operações civis do Ministério da Defesa.
Fonte:FSP
Em Londres, a ONG Save the Children relatou que sua "estimativa conservadora", feita antes do ataque à escola no campo de refugiados de Jabaliya, era de cem crianças mortas em 11 dias. Fontes médicas de Gaza ouvidas pela agência France Presse contabilizaram 159 crianças, enquanto o "Financial Times" atribuiu a autoridades médicas de Gaza o número de "ao menos 115".
"Quando criança, cresci durante a primeira Intifada [1987-1993] e lançava pedras. A geração seguinte de palestinos produziu homens-bomba suicidas. Não consigo ver a chance de a próxima geração se tornar mais moderada", disse Mahmud Abo Rahma, funcionário do Centro Al Mezan pelos direitos humanos em Gaza.
"Estão aterrorizados. Os bombardeios não param, e não há descanso. Isso pode impactar as crianças por meses ou anos mais. Elas ficam sentadas com seus pais e ouvem rádio, sobretudo a estação controlada pelo Hamas, que só divulga sons de explosões, gritos e noticiário sobre os mortos" afirmou Sajy Elmughanni, coordenador do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Antes mesmo da ofensiva israelense, cerca de 50 mil crianças sofriam de desnutrição em Gaza -decorrência do bloqueio ao território, cujo crescimento populacional é um dos maiores do mundo (3,42% ao ano), segundo a CIA. Como consequência, 44% do 1,5 milhão de habitantes da faixa de Gaza têm até 14 anos.
Corredor humanitário
O premiê Ehud Olmert anunciou ontem que Israel abrirá um corredor humanitário, possivelmente hoje, para mitigar a crise agravada pela ofensiva no território.
O corredor dará acesso periódico limitado a determinados pontos da faixa de Gaza, a fim de permitir o abastecimento dos palestinos com artigos de primeira necessidade.
Os detalhes do programa seriam definidos pelo setor de operações civis do Ministério da Defesa.
Fonte:FSP
Israel mata ao menos 30 em escola da ONU
Hamas fez disparos do prédio, diz Exército israelense; Nações Unidas afirmam que instituição abrigava civis refugiados
Ataque marca ingresso da invasão israelense a Gaza em zona de risco militar e político; escola foi a 2ª a ser atingida na ofensiva
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL A SDEROT (ISRAEL)
Ataques lançados por Israel deixaram pelo menos 30 mortos e 55 feridos ontem em uma escola das Nações Unidas na faixa de Gaza, informou a ONU. Médicos da região contaram 42 mortos. Foi o pior incidente em 11 dias de ofensiva contra o grupo fundamentalista islâmico Hamas, em meio ao avanço da invasão israelense a Gaza.
Segundo a ONU, 350 civis haviam se refugiado da violência na escola Al Fakhora, no campo de refugiados de Jabaliya, no norte de Gaza, e foram surpreendidos por três bombas da artilharia israelense, que atingiram uma aglomeração do lado de fora da escola, espalhando estilhaços dentro do local.
O Exército de Israel afirmou que os ataques foram em reação a disparos feitos da escola pelo Hamas, que estaria usando civis como "escudos humanos". Disse também que dois responsáveis por unidades de disparo de morteiros do Hamas estavam entre os mortos.
Dois moradores de Gaza citados pela agência Associated Press disseram que os fundamentalistas usaram uma rua próxima à escola para lançar morteiros contra soldados israelenses. John Ging, diretor em Gaza da UNRWA, agência da ONU para os refugiados palestinos, disse que a região da escola, densamente povoada, foi local de combates entre o Hamas e soldados israelenses: "Há intensa atividade de militares e milicianos na área".
Ging afirmou que a triagem feita pela ONU impede a entrada de milicianos do Hamas na escola e que Israel recebeu da entidade as coordenadas do local: "Era inevitável um alto número de mortos se bombas atingissem a área. Não há lugar seguro em Gaza. Todos aqui estão aterrorizados e traumatizados". Ele pediu uma investigação independente do caso.
O Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) disse que o ataque "foi uma clara violação humanitária e da legislação internacional".
Zona de perigo
O incidente deve aumentar a pressão internacional para que Israel suspenda a ofensiva. Fontes palestinas estimam que pelo menos 660 pessoas já morreram. No lado de Israel, há dez mortos, sendo seis soldados em combate e quatro civis, vítimas de foguetes disparados por extremistas de Gaza.
O bombardeio à escola de Jabaliya ilustra a entrada da operação israelense em uma etapa de perigos crescentes, tanto para a população civil de Gaza como para seus próprios soldados. Após dois dias de incursão terrestre em que ocupou áreas abertas, cercou as cidades e dividiu o território para impedir a movimentação de armas, as forças de Israel entram no estágio dos confrontos urbanos.
Os israelenses enfrentam o desafio de combater em ruas estreitas, em áreas de alta densidade populacional. Os riscos aumentam para os dois lados, como demonstraram dois incidentes de "fogo amigo" ocorridos em 24 horas. Quatro soldados foram mortos em dois ataques separados em que tanques israelenses dispararam por engano contra eles, no norte de Gaza. Um outro soldado foi morto quando patrulhava uma área ocupada por Israel.
Apesar dos riscos, analistas israelenses afirmam que só a incursão terrestre é capaz de garantir os objetivos da operação: matar ou capturar o maior número possível de militantes do Hamas e destruir sua capacidade de lançar foguetes.
Ontem, os tanques israelenses avançaram rumo a duas das quatro principais cidades de Gaza, Khan Younis e Deir el Balah. Israel já cercou a Cidade de Gaza, além de ocupar áreas no norte que, segundo o Exército, eram usadas como base para o lançamento de foguetes.
Ainda assim, Israel foi atingido ontem por pelo menos 34 foguetes disparados de Gaza. Um deles atingiu pela primeira vez Guedera, a cerca de 40 quilômetros de Tel Aviv.
Mas o episódio mais dramático de ontem foi o ataque que atingiu a escola em Jabaliya. A escola da ONU era para a formação de meninas, mas as aulas estavam suspensas desde o início da ofensiva israelense, no dia 27 de dezembro. Foi a segunda escola da ONU atingida por ataques. Na segunda, três palestinos foram mortos em uma unidade na Cidade de Gaza, quando um míssil israelense atingiu um banheiro.
Fonte: FSP
Ataque marca ingresso da invasão israelense a Gaza em zona de risco militar e político; escola foi a 2ª a ser atingida na ofensiva
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL A SDEROT (ISRAEL)
Ataques lançados por Israel deixaram pelo menos 30 mortos e 55 feridos ontem em uma escola das Nações Unidas na faixa de Gaza, informou a ONU. Médicos da região contaram 42 mortos. Foi o pior incidente em 11 dias de ofensiva contra o grupo fundamentalista islâmico Hamas, em meio ao avanço da invasão israelense a Gaza.
Segundo a ONU, 350 civis haviam se refugiado da violência na escola Al Fakhora, no campo de refugiados de Jabaliya, no norte de Gaza, e foram surpreendidos por três bombas da artilharia israelense, que atingiram uma aglomeração do lado de fora da escola, espalhando estilhaços dentro do local.
O Exército de Israel afirmou que os ataques foram em reação a disparos feitos da escola pelo Hamas, que estaria usando civis como "escudos humanos". Disse também que dois responsáveis por unidades de disparo de morteiros do Hamas estavam entre os mortos.
Dois moradores de Gaza citados pela agência Associated Press disseram que os fundamentalistas usaram uma rua próxima à escola para lançar morteiros contra soldados israelenses. John Ging, diretor em Gaza da UNRWA, agência da ONU para os refugiados palestinos, disse que a região da escola, densamente povoada, foi local de combates entre o Hamas e soldados israelenses: "Há intensa atividade de militares e milicianos na área".
Ging afirmou que a triagem feita pela ONU impede a entrada de milicianos do Hamas na escola e que Israel recebeu da entidade as coordenadas do local: "Era inevitável um alto número de mortos se bombas atingissem a área. Não há lugar seguro em Gaza. Todos aqui estão aterrorizados e traumatizados". Ele pediu uma investigação independente do caso.
O Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) disse que o ataque "foi uma clara violação humanitária e da legislação internacional".
Zona de perigo
O incidente deve aumentar a pressão internacional para que Israel suspenda a ofensiva. Fontes palestinas estimam que pelo menos 660 pessoas já morreram. No lado de Israel, há dez mortos, sendo seis soldados em combate e quatro civis, vítimas de foguetes disparados por extremistas de Gaza.
O bombardeio à escola de Jabaliya ilustra a entrada da operação israelense em uma etapa de perigos crescentes, tanto para a população civil de Gaza como para seus próprios soldados. Após dois dias de incursão terrestre em que ocupou áreas abertas, cercou as cidades e dividiu o território para impedir a movimentação de armas, as forças de Israel entram no estágio dos confrontos urbanos.
Os israelenses enfrentam o desafio de combater em ruas estreitas, em áreas de alta densidade populacional. Os riscos aumentam para os dois lados, como demonstraram dois incidentes de "fogo amigo" ocorridos em 24 horas. Quatro soldados foram mortos em dois ataques separados em que tanques israelenses dispararam por engano contra eles, no norte de Gaza. Um outro soldado foi morto quando patrulhava uma área ocupada por Israel.
Apesar dos riscos, analistas israelenses afirmam que só a incursão terrestre é capaz de garantir os objetivos da operação: matar ou capturar o maior número possível de militantes do Hamas e destruir sua capacidade de lançar foguetes.
Ontem, os tanques israelenses avançaram rumo a duas das quatro principais cidades de Gaza, Khan Younis e Deir el Balah. Israel já cercou a Cidade de Gaza, além de ocupar áreas no norte que, segundo o Exército, eram usadas como base para o lançamento de foguetes.
Ainda assim, Israel foi atingido ontem por pelo menos 34 foguetes disparados de Gaza. Um deles atingiu pela primeira vez Guedera, a cerca de 40 quilômetros de Tel Aviv.
Mas o episódio mais dramático de ontem foi o ataque que atingiu a escola em Jabaliya. A escola da ONU era para a formação de meninas, mas as aulas estavam suspensas desde o início da ofensiva israelense, no dia 27 de dezembro. Foi a segunda escola da ONU atingida por ataques. Na segunda, três palestinos foram mortos em uma unidade na Cidade de Gaza, quando um míssil israelense atingiu um banheiro.
Fonte: FSP
2,2 milhões estão na "fila" para receber Bolsa Família
Número de famílias que estão à espera do benefício consta de cadastro do governo
Pasta do Desenvolvimento Social vai tentar convencer Lula a ampliar o programa; inclusão da "fila" custaria mais R$ 2,2 bilhões por ano
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após um pente-fino realizado no final do ano passado em seu cadastro nacional de pobres e extremamente pobres, o Ministério do Desenvolvimento Social detectou 2,2 milhões de famílias que, apesar de reunirem todas as condições de perfil e de renda, estão fora do Bolsa Família.
A pasta rejeita esse termo, mas essas famílias estão na "fila" e sem vaga para atendimento no principal programa de transferência de renda do governo federal, que hoje atende cerca de 11 milhões de famílias.
O custo anual para incluí-las de uma vez no Bolsa Família é de R$ 2,2 bilhões, e não há nenhuma previsão orçamentária para isso neste ano.
Com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE, e em pedidos e reclamações que chegam a todo momento do interior do país, o governo já estimava em cerca de 2 milhões o número de famílias nessas condições.
A identificação exata desses 2,2 milhões de famílias, porém, ocorreu em recente varredura no Cadastro Único, banco de dados alimentado pelas prefeituras e que reúne famílias com renda per capita de até meio salário mínimo.
A inscrição nesse cadastro é o primeiro passo obrigatório para que famílias com renda per capita de até R$ 120 possam acessar futuramente o benefício do Bolsa Família.
Atualmente as cotas de atendimento, por município, estão definidas por antigas pesquisas do IBGE, como o Censo 2000 e a Pnad 2004.
Em 2009, porém, será usado pelo programa um novo modelo do IBGE, conhecido como "espacialização da pobreza", que poderá indicar com mais precisão as demandas regionais e municipais. Esses mapas traçam diferentes linhas de pobreza, com dados do Censo 2000 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002/2003.
Ampliação
A ideia do ministério é apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva esse novo mapeamento da demanda existente e a lista de espera do programa para convencê-lo a ampliar a verba do Bolsa Família -para 2009, por enquanto, estão previstos R$ 11,9 bilhões, ou seja, R$ 1,2 bilhão a mais do que o gasto no ano passado.
Além de aguardar a ampliação de quase 20% das verbas do programa, o ministério planeja mudar a faixa de renda para entrada no Bolsa Família. A "linha", hoje em R$ 120 per capita, será reajustada com base na inflação e em outros fatores ainda em estudo, como os mapas de "espacialização" da pobreza do IBGE.
Por exemplo: se a "linha" subir para R$ 150, as famílias "extremamente pobres", com direito ao benefício básico de R$ 62, serão aquelas com renda per capita de até R$ 75 (hoje esse corte é em R$ 60).
A última vez que o governo mexeu nessas faixas foi em 2006, quando o limite de inclusão passou de R$ 100 para R$ 120 per capita.
Hoje, uma família incluída no programa pode receber entre R$ 20 e R$ 182. O teto é pago àquelas consideradas extremamente pobres, sendo R$ 62 de benefício básico, R$ 20 por criança de até 15 anos (limite de três) e R$ 30 por adolescente de 16 e 17 anos (limite de dois).
Em 2008, o governo federal reajustou em 8% o valor do benefício e estendeu o programa aos adolescentes.
Sem documentos, mais de 5 mi estão excluídos do programa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além dos 2,2 milhões de famílias inscritas no cadastro único de políticas sociais, na fila para o Bolsa Família, outros 5 milhões de pessoas podem estar excluídos do programa por não terem documentos.
Esse é o número estimado pelo governo para a população sem registro civil. A maior parte dela poderia se enquadrar no programa, diz Lúcia Modesto, secretária Nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Para se inscrever no cadastro, o responsável legal pela família tem de apresentar CPF ou título de eleitor, já que carteiras de identidade podem ser emitidas por diversos Estados, o que daria margem à duplicidade de benefícios.
A exigência, embora reduza o risco de fraude, acaba por dificultar a entrada de participantes no programa.
É o caso de Cenita, 39, Agnaldo, 47, e de seus oito filhos, dos quais seis vivem com o casal em um casebre de dois cômodos, na zona rural de Mirante, na Bahia. O município, a 539 km de Salvador, faz parte do chamado "triângulo da miséria", entre os municípios de Caetanos e Bom Jesus da Serra.
Em setembro, quando a Folha contatou o casal, eles só tinham o RG. O orçamento da família não é suficiente para alimentar a todos. "Aqui a gente vive de doações, um punhado de feijão, arroz, farinha. Tem dia que não vem nada", disse Cenita.
Cleudiane, 3, Tatiane, 8, os gêmeos Cosme e Damião, 10, Tânia, 11, e Jean, 12, nem sempre almoçam ou jantam. "Só mando eles para a escola se comerem. Não posso mandar eles com fome. Tem que ter força para estudar", contou a mãe.
Para reduzir as estatísticas de sub-registro, o governo lançou uma campanha, coordenada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, para estimular as pessoas a fazerem seus documentos.
De acordo com a secretária responsável pelo Bolsa Família, um outro desafio do governo é a inclusão de moradores de rua no programa.
(ANGELA PINHO E EDUARDO SCOLESE)
Fonte: FSP
Pasta do Desenvolvimento Social vai tentar convencer Lula a ampliar o programa; inclusão da "fila" custaria mais R$ 2,2 bilhões por ano
EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após um pente-fino realizado no final do ano passado em seu cadastro nacional de pobres e extremamente pobres, o Ministério do Desenvolvimento Social detectou 2,2 milhões de famílias que, apesar de reunirem todas as condições de perfil e de renda, estão fora do Bolsa Família.
A pasta rejeita esse termo, mas essas famílias estão na "fila" e sem vaga para atendimento no principal programa de transferência de renda do governo federal, que hoje atende cerca de 11 milhões de famílias.
O custo anual para incluí-las de uma vez no Bolsa Família é de R$ 2,2 bilhões, e não há nenhuma previsão orçamentária para isso neste ano.
Com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE, e em pedidos e reclamações que chegam a todo momento do interior do país, o governo já estimava em cerca de 2 milhões o número de famílias nessas condições.
A identificação exata desses 2,2 milhões de famílias, porém, ocorreu em recente varredura no Cadastro Único, banco de dados alimentado pelas prefeituras e que reúne famílias com renda per capita de até meio salário mínimo.
A inscrição nesse cadastro é o primeiro passo obrigatório para que famílias com renda per capita de até R$ 120 possam acessar futuramente o benefício do Bolsa Família.
Atualmente as cotas de atendimento, por município, estão definidas por antigas pesquisas do IBGE, como o Censo 2000 e a Pnad 2004.
Em 2009, porém, será usado pelo programa um novo modelo do IBGE, conhecido como "espacialização da pobreza", que poderá indicar com mais precisão as demandas regionais e municipais. Esses mapas traçam diferentes linhas de pobreza, com dados do Censo 2000 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002/2003.
Ampliação
A ideia do ministério é apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva esse novo mapeamento da demanda existente e a lista de espera do programa para convencê-lo a ampliar a verba do Bolsa Família -para 2009, por enquanto, estão previstos R$ 11,9 bilhões, ou seja, R$ 1,2 bilhão a mais do que o gasto no ano passado.
Além de aguardar a ampliação de quase 20% das verbas do programa, o ministério planeja mudar a faixa de renda para entrada no Bolsa Família. A "linha", hoje em R$ 120 per capita, será reajustada com base na inflação e em outros fatores ainda em estudo, como os mapas de "espacialização" da pobreza do IBGE.
Por exemplo: se a "linha" subir para R$ 150, as famílias "extremamente pobres", com direito ao benefício básico de R$ 62, serão aquelas com renda per capita de até R$ 75 (hoje esse corte é em R$ 60).
A última vez que o governo mexeu nessas faixas foi em 2006, quando o limite de inclusão passou de R$ 100 para R$ 120 per capita.
Hoje, uma família incluída no programa pode receber entre R$ 20 e R$ 182. O teto é pago àquelas consideradas extremamente pobres, sendo R$ 62 de benefício básico, R$ 20 por criança de até 15 anos (limite de três) e R$ 30 por adolescente de 16 e 17 anos (limite de dois).
Em 2008, o governo federal reajustou em 8% o valor do benefício e estendeu o programa aos adolescentes.
Sem documentos, mais de 5 mi estão excluídos do programa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além dos 2,2 milhões de famílias inscritas no cadastro único de políticas sociais, na fila para o Bolsa Família, outros 5 milhões de pessoas podem estar excluídos do programa por não terem documentos.
Esse é o número estimado pelo governo para a população sem registro civil. A maior parte dela poderia se enquadrar no programa, diz Lúcia Modesto, secretária Nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Para se inscrever no cadastro, o responsável legal pela família tem de apresentar CPF ou título de eleitor, já que carteiras de identidade podem ser emitidas por diversos Estados, o que daria margem à duplicidade de benefícios.
A exigência, embora reduza o risco de fraude, acaba por dificultar a entrada de participantes no programa.
É o caso de Cenita, 39, Agnaldo, 47, e de seus oito filhos, dos quais seis vivem com o casal em um casebre de dois cômodos, na zona rural de Mirante, na Bahia. O município, a 539 km de Salvador, faz parte do chamado "triângulo da miséria", entre os municípios de Caetanos e Bom Jesus da Serra.
Em setembro, quando a Folha contatou o casal, eles só tinham o RG. O orçamento da família não é suficiente para alimentar a todos. "Aqui a gente vive de doações, um punhado de feijão, arroz, farinha. Tem dia que não vem nada", disse Cenita.
Cleudiane, 3, Tatiane, 8, os gêmeos Cosme e Damião, 10, Tânia, 11, e Jean, 12, nem sempre almoçam ou jantam. "Só mando eles para a escola se comerem. Não posso mandar eles com fome. Tem que ter força para estudar", contou a mãe.
Para reduzir as estatísticas de sub-registro, o governo lançou uma campanha, coordenada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, para estimular as pessoas a fazerem seus documentos.
De acordo com a secretária responsável pelo Bolsa Família, um outro desafio do governo é a inclusão de moradores de rua no programa.
(ANGELA PINHO E EDUARDO SCOLESE)
Fonte: FSP
Davi que virou Golias

Nos últimos dias fomos pegos com a informação de que Israel iniciava um ataque contra a Palestina, alegação, o direito a auto-defesa! Pois bem, que auto defesa é essa que se utiliza dos mais sofisticados equipamentos de guerra do mundo, contra misseis fabricado no quintal de casa? Que auto-defesa é essa, que mata mais de 500 pessoas, sendo a maioria civis , contra 5 mortes(sendo uma do fogo "amigo") ,que em sua maioria civis?
Uma velha pergunta que se faz quando trato de temas globais, mas o qeu as crianças e adolescentes tem com isso?
Diria que todos os temas que afetam, positivamente ou negativamente a humanidade, a implicação com a infância é direta, nesse caso, já foram mais de 100 mortas nesse insano confronto desigual de um Davi que se transformou no mais impiedoso dos Golias, que além de truculento não ouve nenhuma voz sensata.
Temos que participar ativamente em todos os espaços que se levantem contra essa sanha assassina dos israelitas contra o povo palestino!
Fantastico e Adolescentes autores de ato infracional
A luta do Movimento Social de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, cada dia parece mais inglória, um amontoado de idéias com certeza não criam um projeto que responda a necessidade da infanto-adolescência no Brasil, sendo assim as idéias de tornam vagas e muitos são os abutres que se aproveitam das sobras humanas que são distribuidas aos montes.
A ausência de um projeto faz com que de tempos em tempos, campanhas exdruxulas e contrarias aos meninos e meninas, sejam levantadas pelos grupos mais conservadores do país, fato que aconteceu no ultimo domingo no Fantástico, que apresentou sem nenhum contraponto a situação dos adolescentes autores de ato-infracional em dois estados, Ceará e Paraná (estranho como não foram apresentados os estados mais problematicos: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o que seria mais grave ainda e exporia os 3 principais governos do país). Apesar de apresentar diversas irregularidades no atendimento dos adolescentes(celas, utilização de algemas, alimentação de qualidade duvidosa, ausência de projeto pedagógico etc), o programa focou na pratica do ato e tentou demonstrar que o tempo da medida de internação (nova ofensiva dos grupos conservadores, aumento do tempo de internação, já aceita por muitos "defensores dos direitos da infância"),mostraram uma familia, que perdeu sua filha(em um ato cometido por um adolescente)com seu apelo emotivo que faziam exatamente a fala do tempo da medida de internação, não mostrando qual a porcentagem de adolescentes envolvidos em crimes graves (menos de 1%).
Esse é um começo de ano, que demonstra claramente que os grupos conservadores, virão com maior força para retirar os direitos e a compreensão que se tem(legalmente deste segmento), sem que se tenha respeitado o previsto na lei (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parece que o 2009, começa com trabalho dobrado para os lutadores da causa da infância,apontando claramente para a necessidade urgente de se pensar que caminhos de fato se quer seguir, ou ainda continuaremos com a lenga-lenga oficial, reproduzindo a fala de que tudo está bem!
A ausência de um projeto faz com que de tempos em tempos, campanhas exdruxulas e contrarias aos meninos e meninas, sejam levantadas pelos grupos mais conservadores do país, fato que aconteceu no ultimo domingo no Fantástico, que apresentou sem nenhum contraponto a situação dos adolescentes autores de ato-infracional em dois estados, Ceará e Paraná (estranho como não foram apresentados os estados mais problematicos: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o que seria mais grave ainda e exporia os 3 principais governos do país). Apesar de apresentar diversas irregularidades no atendimento dos adolescentes(celas, utilização de algemas, alimentação de qualidade duvidosa, ausência de projeto pedagógico etc), o programa focou na pratica do ato e tentou demonstrar que o tempo da medida de internação (nova ofensiva dos grupos conservadores, aumento do tempo de internação, já aceita por muitos "defensores dos direitos da infância"),mostraram uma familia, que perdeu sua filha(em um ato cometido por um adolescente)com seu apelo emotivo que faziam exatamente a fala do tempo da medida de internação, não mostrando qual a porcentagem de adolescentes envolvidos em crimes graves (menos de 1%).
Esse é um começo de ano, que demonstra claramente que os grupos conservadores, virão com maior força para retirar os direitos e a compreensão que se tem(legalmente deste segmento), sem que se tenha respeitado o previsto na lei (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parece que o 2009, começa com trabalho dobrado para os lutadores da causa da infância,apontando claramente para a necessidade urgente de se pensar que caminhos de fato se quer seguir, ou ainda continuaremos com a lenga-lenga oficial, reproduzindo a fala de que tudo está bem!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Com a ajuda de Cuba e Venezuela, governo do presidente Evo Morales anunciará, no dia 20, que, no seu país, todos sabem ler e escrever
Fernanda Chaves
Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)
No dia 20, a Bolívia se tornará o terceiro país da América Latina a erradicar o analfabetismo. O primeiro foi Cuba, em 1961. Depois, foi a vez da Venezuela, em 2005. E, justamente com a ajuda de cubanos e venezuelanos, o governo do presidente Evo Morales, em menos de três anos, pôde ensinar 820 mil pessoas a ler e escrever. O método utilizado foi o “Yo, sí puedo”, criado pela Revolução Cubana, que também contribuiu com assessores e equipamentos.
Na entrevista a seguir, o cubano Javier Labrada Rosabal e o boliviano Pablo Quisber, ambos coordenadores do programa de alfabetização, explicam o método e contam como o projeto se desenvolveu e foi implementado na Bolívia.
Brasil de Fato – Como funciona o programa Yo, sí puedo? Como foi aplicado na Bolívia?
Javier Labrada Rosabal: Na Bolívia, foi uiniciativa do presidente eleito. Em Havana, antes de tomar posse, Evo Morales firmou um convênio com o então presidente cubano Fidel Castro para o projeto de desenvolvimento do programa nacional de alfabetização em seu país. No último dia da campanha presidencial de Evo, um jornalista perguntou a ele: “para que o senhor quer ser presidente?”. Ele respondeu: “para muita coisa, mas, principalmente, valorizar o meu povo”. Essa era sua máxima aspiração. Então, em Cuba, em dezembro de 2005, em sua primeira viagem como presidente eleito, o governo cubano se comprometeu a desenvolver e enviar todo material didático necessário e também a assessoria para a implementação. Um mês depois, na Bolívia, junto com Evo, desenvolvemos, a partir de suas orientações, os moldes do programa, que foi lançado em março de 2006.
Quais sãos os fatores fundamentais dessa campanha?
Javier: Em primeiro lugar, a vontade política do presidente. Em mais de 500 anos de existência da Bolívia e quase 200 de Bolívia republicana, nunca nenhum governo havia implantado, como política, uma campanha de alfabetização. Aqui, houve algumas tentativas, inclusive através de ONGs, mas nunca se consolidou uma verdadeira política como agora. Se houve uma vontade política, Evo é o fator decisivo neste processo.
E as particularidades da Bolívia?
Javier: Em relação àVenezuela e à Bolívia, que são casos mais recentes (o primeiro declarou-se livre do analfabetismo em 2005, o segundo, declarará no dia 20), o trabalho é fruto de presidentes comprometidos com seu povo, que interpretam as reais necessidades dele ou que vêm de famílias extremamente humildes. E cumprem o que prometeram em suas campanhas. Esses também são fatores importantes. Mas o principal fator é o político.
Outro ponto decisivo foi a maneira como o povo boliviano se assumia na campanha, o que permitiu a conformação das comissões de alfabetização em todos os níveis. É um fenômeno social muito complexo que não aconteceria sem a força de muitos. Desse modo, a Bolívia está enfrentando o analfabetismo, com 60 mil bolivianos atuando como facilitadores e supervisores. Aí está o protagonismo principal. A força é dos bolivianos. Nós trazemos o método, ajudamos metodologicamente, organizativamente, através da experiência que já temos, mas o recurso humano principal é o boliviano. Aqui somos 128 cubanos e 47 venezuelanos ajudando a implementar o programa. Somente nós não teríamos como promover a alfabetização. Impossível.
O êxito do projeto se deve claramente à inclusão cidadã e também à adesão de todos os municípios, incluindo seus prefeitos, que apóiam o programa – até mesmo os que não simpatizam com o governo. Isso é muito importante dizer. É um programa humano, educativo, que não tem a ver com assuntos políticos internos.
Em quantos países se desenvolve o método Yo, sí puedo?
Javier: O programa está presente em 28 países do mundo. Nós temos o método “Yo, sí puedo” em vários idiomas: em inglês, em mauí (para a Nova Zelândia), em português (estamos aplicando em alguns lugares do Brasil, como Piauí), em creole (para o Haiti) e, aqui na Bolívia, aplicamos nos idiomas indígenas aimara e quéchua, além do castelhano convencional. Temos a preocupação fundamental de não só respeitar, mas fortalecer as tradições culturais de cada país. É um método flexível, porque se adapta à condição do participante, e também é altamente atrativo, porque usa a televisão. Usamos a televisão para transmitir conhecimento e cultura, não de forma como ela é usada freqüentemente nos países capitalistas, para formar o desejo consumista na população. Através dela, o programa vai até onde está o participante. No mercado, no campo, na comunidade.. .
Geralmente, quais dificuldades são enfrentadas?
Javier: O maior inimigo do programa é a pobreza. O problema número um do analfabeto não é não saber escrever, é ter que dar o sustento para sua família. Portanto, deve-se ser flexível, para que todos tenham condições de comparecer. A outra chave é que o programa é alfanumérico, o que é atraente. Então, o fator audiovisual, combinando letras e números, é altamente exitoso. Os iletrados conhecem bem os números, pois compram e vendem, e vão aprendendo a associar a letra ao número. Em três ou quatro meses, a pessoa está alfabetizada, dependendo da condição do participante. Há também o programa voltado para os portadores de necessidades especiais, como surdo-mudos. Há o método em braile também, para os cegos. Esse foi um aporte venezuelano. Os resultados são muito bons.
O senhor pode explicar melhor essa adaptação para as línguas indígenas?
Javier: Reunimos pedagogos cubanos e bolivianos em uma comissão conjunta para desenvolver o programa voltado para as culturas aimara e quéchua. Compatibilizamos as cartilhas desses idiomas com a do castelhano. A partir daí, fomos encontrando soluções, por exemplo, para o caso do aimara, que só tem três vogais. Os especialistas nesse idioma buscaram essa solução.
Selecionamos possíveis professores, fizemos várias etapas de capacitação e preparação, e os levamos a Havana, já com os textos prontos, compatibilizados, e confeccionamos as fitas cassetes, que, depois, foram enviadas para a Bolívia, juntamente com as cartilhas. Gravamos os programas em Cuba, mas os professores que aparecem no vídeo são bolivianos. Os facilitadores, que reproduzem os programas e se responsabilizam pelas classes, são pessoas da própria comunidade, alguns professores, alguns jovens universitários, outros são oficiais do exército...
Onde há predominância de línguas nativas, temos facilitadores que dominam esse idioma local. A maior parte se alfabetiza em castelhano, mas temos um conjunto da população que optou por ser alfabetizado em seus idiomas originais: 13 mil pessoas em quéchua e 25 mil em aimara. Assim, chegamos a toda a Bolívia, ponto a ponto. Incluindo a lugares em que não há energia elétrica.
Como, se é por televisão?
Javier: Com a cooperação de Venezuela e Cuba, instalamos 8.350 painéis de energia solar, num esforço tremendo, atravessando rios, estradas... esse país é imenso. Tem altiplano, vales, amazônia, é muito diverso. Mesmo assim, triunfamos na diversidade, adaptamos o método às características das regiões, obviamente com toda a ajuda dos facilitadores e das próprias comunidades.
É uma missão, sobretudo?
Javier: Nós, professores cubanos e venezuelanos, estamos numa missão internacional, aprendemos muito com o povo boliviano e ainda há muito o que aprender sobre a Bolívia. Nos sentimos honrados de estar aqui agora, de auxiliar esse desenvolvimento, sobretudo por cumprirmos o sonho de Che Guevara, que deu seu sangue por esta terra, para que não houvesse analfabetos. Se o Che tivesse triunfado há 40 anos, as coisas estariam bem diferentes. Mas temos agora essa oportunidade com o Evo no governo. Eu particularmente estou muito emocionado. São 820 mil pessoas alfabetizadas. O Evo é o impulsionador máximo, o animador máximo desse programa. Agora, com muito entusiasmo e sua orientação, estamos preparando o ato nacional que vai declarar a Bolívia livre do analfabetismo, no próximo sábado, dia 20, em Cochabamba. Será uma grande festa, com delegações de todo o país. Está confirmada a presença de ministros, do presidente da OEA (Organização
dos Estados Americanos), representantes da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura), e de Fernando Lugo, presidente do Paraguai – o próximo país onde estaremos em missão para erradicar o analfabetismo. Dessa vez, seremos Cuba, Venezuela e Bolívia a ajudar um país irmão.
E os próximos passos?
Javier: Vamos iniciar, em fevereiro do ano que vem, o programa de pós-alfabetização, o “Yo, sí puedo seguir”, que vai beneficiar milhares de bolivianos. Agora, isso implica maior tempo e recursos, e maiores preparações das pessoas que serão facilitadoras. Seria lamentável, depois de implementar o “Yo, sí puedo”, não se prosseguir para a seguinte etapa. O próximo passo é muito importante para não incorrermos na possibilidade de se criar analfabetos funcionais.
Pablo Quisber: Esse programa pretende fazer com que, num primeiro momento, as pessoas aprofundem sua capacidade de leitura e escrita e, num segundo momento, adquiram outros tipos de conhecimento, vinculados à matemática, história, linguagem, geografia e até outros tipos de conhecimentos aplicados. Na Venezuela, por exemplo, experimentou- se ciências da computação. Oxalá faremos o mesmo aqui na Bolívia, ou que se trabalhe outros temas como educação e valores cidadãos ou saúde preventiva. Há essa demanda.
Há mais mulheres que homens, mais idosos que jovens? Como são esses números?
Pablo: Ainda temos resultados preliminares, dos municípios. Estamos reunindo esses dados para o relatório final, em fevereiro. Mas acredito que há mais mulheres, como nos outros países latino-americanos. Temos cidades em que elas chegam a representar mais de 40% dos analfabetos, sobretudo nos lugares mais pobres. Temos uma faixa que atravessa o país desde a fronteira do Peru até a fronteira com a Argentina onde se concentra a maior pobreza. Temos municípios onde 90% dos participantes são mulheres. Há classes de 15 participantes mulheres e um único homem. Isso tem explicação na própria história e condição social e econômica boliviana e numa maior marginalização da mulher. Está se tentando acabar com isso de duas formas: de um lado, temos a alfabetização de adultos e, de outro, o compromisso do Evo de garantir educação universal e gratuita para todos os bolivianos. Muitas famílias sacrificaram as meninas para que os meninos
estudassem. Agora, há um incentivo para que as mulheres ingressem os estudos.
O programa é apoiado até por prefeitos que não são da “base” do Evo? Como é isso?
Pablo: Isso é a fortaleza do programa e estamos muito orgulhosos disso. Os governos municipais recebem recursos de muitas fontes. Temos 327 municípios, cada um com seu governo. Todos têm um orçamento. Uma parte dele vem do dinheiro obtido dos hidrocarbonetos, que o governo Evo Morales recuperou através da nacionalização, e que se distribui entre todos as cidades. E esse recurso só pode se converter em saúde e educação. O programa de alfabetização é um projeto ideal para os municípios, não importa seus tamanhos. Em primeiro lugar, o projeto permitirá que a cidade se torne livre do analfabetismo, depois vai possibilitar que ela execute a verba destinada para educação e, em terceiro lugar, o programa disponibiliza todo o material necessário, como televisores, cartilhas, painéis solares, professores. ..
Trabalhamos em municípios totalmente opositores a Evo. Houve um caso no departamento de Pando, por exemplo, em Bolpebra, uma cidade bem pequena, na fronteira com Brasil e Peru, e onde não havíamos entrado ainda. Mas era o único na região. As autoridades eram muito desrespeitosas com o pessoal de Cuba e da Venezuela, desconfiavam da gente, não nos queriam lá, até com escopetas nos ameaçaram... Não ingressamos nesse município até que o prefeito viesse nos pedir! Ele se deu conta que os municípios vizinhos, Cobija, El Porvenir, avançaram. Estavam se beneficiando do programa, com televisores, painéis solares... e também com os professores. E iam os médicos cubanos, para fazer exames de vista de aprendizado, eram distribuídos óculos. Exames de saúde eram feitos, e a população satisfeita. E o município “dele” era o único ainda da região que não tinha acesso a esses benefícios. Prefeitos totalmente opositores se dão conta que
vale a pena. O caminho do desenvolvimento, seja por qualquer via, socialismo ou o capitalismo, passa pela educação das pessoas.
Qual é o custo financeiro para se implementar o Yo, sí puedo?
Pablo: Todo o êxito do programa está vinculado diretamente à vontade política do governo. Isso relativiza o tema do custo. Hoje, o tema da alfabetização é uma prioridade real. Por isso o programa encontra todo o apoio necessário. Até agora, estamos fechando com 35 ou 36 milhões de dólares. Isso inclui tudo, tudo, tudo. O grosso desse custo não vai pro governo boliviano. O governo aportou 8 milhões de dólares, que sai dos contribuintes bolivianos. O restante, 28 milhões de dólares, é produto de doação em recursos como equipamentos e assessores, de Cuba e da Venezuela. Há os 8.350 painéis solares, que foram todos doados pelos dois países, e cada um custa 1,3 mil dólares.
Esses 36 milhões parecem uma cifra grande, mas, se dividirmos pelo conjunto de pessoas que foram alfabetizadas, não dá mais que 40 dólares por pessoa. O cálculo mais realista fica em torno de 150 dólares por participante.
Essa é a primeira vez que um programa de alfabetização se implementa em todo o país. Outros governos tratavam o assunto como uma obra de caridade. É uma iniciativa trinacional, entre Cuba Venezuela e Bolívia. Eu, particularmente, estou muito orgulhoso de fazer parte da equipe nacional. E, oxalá, iniciaremos agora uma experiência com o quarto país, o Paraguai.
Javier Labrada Rosabal, de 40 anos, é professor de Educação Física e Esportes e coordenador geral do Programa de Alfabetização boliviano, pela delegação cubana.
Pablo Quisber, de 36 anos, é historiador e coordenador nacional do programa pela Bolívia.
Correspondente do Brasil de Fato em La Paz (Bolívia)
No dia 20, a Bolívia se tornará o terceiro país da América Latina a erradicar o analfabetismo. O primeiro foi Cuba, em 1961. Depois, foi a vez da Venezuela, em 2005. E, justamente com a ajuda de cubanos e venezuelanos, o governo do presidente Evo Morales, em menos de três anos, pôde ensinar 820 mil pessoas a ler e escrever. O método utilizado foi o “Yo, sí puedo”, criado pela Revolução Cubana, que também contribuiu com assessores e equipamentos.
Na entrevista a seguir, o cubano Javier Labrada Rosabal e o boliviano Pablo Quisber, ambos coordenadores do programa de alfabetização, explicam o método e contam como o projeto se desenvolveu e foi implementado na Bolívia.
Brasil de Fato – Como funciona o programa Yo, sí puedo? Como foi aplicado na Bolívia?
Javier Labrada Rosabal: Na Bolívia, foi uiniciativa do presidente eleito. Em Havana, antes de tomar posse, Evo Morales firmou um convênio com o então presidente cubano Fidel Castro para o projeto de desenvolvimento do programa nacional de alfabetização em seu país. No último dia da campanha presidencial de Evo, um jornalista perguntou a ele: “para que o senhor quer ser presidente?”. Ele respondeu: “para muita coisa, mas, principalmente, valorizar o meu povo”. Essa era sua máxima aspiração. Então, em Cuba, em dezembro de 2005, em sua primeira viagem como presidente eleito, o governo cubano se comprometeu a desenvolver e enviar todo material didático necessário e também a assessoria para a implementação. Um mês depois, na Bolívia, junto com Evo, desenvolvemos, a partir de suas orientações, os moldes do programa, que foi lançado em março de 2006.
Quais sãos os fatores fundamentais dessa campanha?
Javier: Em primeiro lugar, a vontade política do presidente. Em mais de 500 anos de existência da Bolívia e quase 200 de Bolívia republicana, nunca nenhum governo havia implantado, como política, uma campanha de alfabetização. Aqui, houve algumas tentativas, inclusive através de ONGs, mas nunca se consolidou uma verdadeira política como agora. Se houve uma vontade política, Evo é o fator decisivo neste processo.
E as particularidades da Bolívia?
Javier: Em relação àVenezuela e à Bolívia, que são casos mais recentes (o primeiro declarou-se livre do analfabetismo em 2005, o segundo, declarará no dia 20), o trabalho é fruto de presidentes comprometidos com seu povo, que interpretam as reais necessidades dele ou que vêm de famílias extremamente humildes. E cumprem o que prometeram em suas campanhas. Esses também são fatores importantes. Mas o principal fator é o político.
Outro ponto decisivo foi a maneira como o povo boliviano se assumia na campanha, o que permitiu a conformação das comissões de alfabetização em todos os níveis. É um fenômeno social muito complexo que não aconteceria sem a força de muitos. Desse modo, a Bolívia está enfrentando o analfabetismo, com 60 mil bolivianos atuando como facilitadores e supervisores. Aí está o protagonismo principal. A força é dos bolivianos. Nós trazemos o método, ajudamos metodologicamente, organizativamente, através da experiência que já temos, mas o recurso humano principal é o boliviano. Aqui somos 128 cubanos e 47 venezuelanos ajudando a implementar o programa. Somente nós não teríamos como promover a alfabetização. Impossível.
O êxito do projeto se deve claramente à inclusão cidadã e também à adesão de todos os municípios, incluindo seus prefeitos, que apóiam o programa – até mesmo os que não simpatizam com o governo. Isso é muito importante dizer. É um programa humano, educativo, que não tem a ver com assuntos políticos internos.
Em quantos países se desenvolve o método Yo, sí puedo?
Javier: O programa está presente em 28 países do mundo. Nós temos o método “Yo, sí puedo” em vários idiomas: em inglês, em mauí (para a Nova Zelândia), em português (estamos aplicando em alguns lugares do Brasil, como Piauí), em creole (para o Haiti) e, aqui na Bolívia, aplicamos nos idiomas indígenas aimara e quéchua, além do castelhano convencional. Temos a preocupação fundamental de não só respeitar, mas fortalecer as tradições culturais de cada país. É um método flexível, porque se adapta à condição do participante, e também é altamente atrativo, porque usa a televisão. Usamos a televisão para transmitir conhecimento e cultura, não de forma como ela é usada freqüentemente nos países capitalistas, para formar o desejo consumista na população. Através dela, o programa vai até onde está o participante. No mercado, no campo, na comunidade.. .
Geralmente, quais dificuldades são enfrentadas?
Javier: O maior inimigo do programa é a pobreza. O problema número um do analfabeto não é não saber escrever, é ter que dar o sustento para sua família. Portanto, deve-se ser flexível, para que todos tenham condições de comparecer. A outra chave é que o programa é alfanumérico, o que é atraente. Então, o fator audiovisual, combinando letras e números, é altamente exitoso. Os iletrados conhecem bem os números, pois compram e vendem, e vão aprendendo a associar a letra ao número. Em três ou quatro meses, a pessoa está alfabetizada, dependendo da condição do participante. Há também o programa voltado para os portadores de necessidades especiais, como surdo-mudos. Há o método em braile também, para os cegos. Esse foi um aporte venezuelano. Os resultados são muito bons.
O senhor pode explicar melhor essa adaptação para as línguas indígenas?
Javier: Reunimos pedagogos cubanos e bolivianos em uma comissão conjunta para desenvolver o programa voltado para as culturas aimara e quéchua. Compatibilizamos as cartilhas desses idiomas com a do castelhano. A partir daí, fomos encontrando soluções, por exemplo, para o caso do aimara, que só tem três vogais. Os especialistas nesse idioma buscaram essa solução.
Selecionamos possíveis professores, fizemos várias etapas de capacitação e preparação, e os levamos a Havana, já com os textos prontos, compatibilizados, e confeccionamos as fitas cassetes, que, depois, foram enviadas para a Bolívia, juntamente com as cartilhas. Gravamos os programas em Cuba, mas os professores que aparecem no vídeo são bolivianos. Os facilitadores, que reproduzem os programas e se responsabilizam pelas classes, são pessoas da própria comunidade, alguns professores, alguns jovens universitários, outros são oficiais do exército...
Onde há predominância de línguas nativas, temos facilitadores que dominam esse idioma local. A maior parte se alfabetiza em castelhano, mas temos um conjunto da população que optou por ser alfabetizado em seus idiomas originais: 13 mil pessoas em quéchua e 25 mil em aimara. Assim, chegamos a toda a Bolívia, ponto a ponto. Incluindo a lugares em que não há energia elétrica.
Como, se é por televisão?
Javier: Com a cooperação de Venezuela e Cuba, instalamos 8.350 painéis de energia solar, num esforço tremendo, atravessando rios, estradas... esse país é imenso. Tem altiplano, vales, amazônia, é muito diverso. Mesmo assim, triunfamos na diversidade, adaptamos o método às características das regiões, obviamente com toda a ajuda dos facilitadores e das próprias comunidades.
É uma missão, sobretudo?
Javier: Nós, professores cubanos e venezuelanos, estamos numa missão internacional, aprendemos muito com o povo boliviano e ainda há muito o que aprender sobre a Bolívia. Nos sentimos honrados de estar aqui agora, de auxiliar esse desenvolvimento, sobretudo por cumprirmos o sonho de Che Guevara, que deu seu sangue por esta terra, para que não houvesse analfabetos. Se o Che tivesse triunfado há 40 anos, as coisas estariam bem diferentes. Mas temos agora essa oportunidade com o Evo no governo. Eu particularmente estou muito emocionado. São 820 mil pessoas alfabetizadas. O Evo é o impulsionador máximo, o animador máximo desse programa. Agora, com muito entusiasmo e sua orientação, estamos preparando o ato nacional que vai declarar a Bolívia livre do analfabetismo, no próximo sábado, dia 20, em Cochabamba. Será uma grande festa, com delegações de todo o país. Está confirmada a presença de ministros, do presidente da OEA (Organização
dos Estados Americanos), representantes da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura), e de Fernando Lugo, presidente do Paraguai – o próximo país onde estaremos em missão para erradicar o analfabetismo. Dessa vez, seremos Cuba, Venezuela e Bolívia a ajudar um país irmão.
E os próximos passos?
Javier: Vamos iniciar, em fevereiro do ano que vem, o programa de pós-alfabetização, o “Yo, sí puedo seguir”, que vai beneficiar milhares de bolivianos. Agora, isso implica maior tempo e recursos, e maiores preparações das pessoas que serão facilitadoras. Seria lamentável, depois de implementar o “Yo, sí puedo”, não se prosseguir para a seguinte etapa. O próximo passo é muito importante para não incorrermos na possibilidade de se criar analfabetos funcionais.
Pablo Quisber: Esse programa pretende fazer com que, num primeiro momento, as pessoas aprofundem sua capacidade de leitura e escrita e, num segundo momento, adquiram outros tipos de conhecimento, vinculados à matemática, história, linguagem, geografia e até outros tipos de conhecimentos aplicados. Na Venezuela, por exemplo, experimentou- se ciências da computação. Oxalá faremos o mesmo aqui na Bolívia, ou que se trabalhe outros temas como educação e valores cidadãos ou saúde preventiva. Há essa demanda.
Há mais mulheres que homens, mais idosos que jovens? Como são esses números?
Pablo: Ainda temos resultados preliminares, dos municípios. Estamos reunindo esses dados para o relatório final, em fevereiro. Mas acredito que há mais mulheres, como nos outros países latino-americanos. Temos cidades em que elas chegam a representar mais de 40% dos analfabetos, sobretudo nos lugares mais pobres. Temos uma faixa que atravessa o país desde a fronteira do Peru até a fronteira com a Argentina onde se concentra a maior pobreza. Temos municípios onde 90% dos participantes são mulheres. Há classes de 15 participantes mulheres e um único homem. Isso tem explicação na própria história e condição social e econômica boliviana e numa maior marginalização da mulher. Está se tentando acabar com isso de duas formas: de um lado, temos a alfabetização de adultos e, de outro, o compromisso do Evo de garantir educação universal e gratuita para todos os bolivianos. Muitas famílias sacrificaram as meninas para que os meninos
estudassem. Agora, há um incentivo para que as mulheres ingressem os estudos.
O programa é apoiado até por prefeitos que não são da “base” do Evo? Como é isso?
Pablo: Isso é a fortaleza do programa e estamos muito orgulhosos disso. Os governos municipais recebem recursos de muitas fontes. Temos 327 municípios, cada um com seu governo. Todos têm um orçamento. Uma parte dele vem do dinheiro obtido dos hidrocarbonetos, que o governo Evo Morales recuperou através da nacionalização, e que se distribui entre todos as cidades. E esse recurso só pode se converter em saúde e educação. O programa de alfabetização é um projeto ideal para os municípios, não importa seus tamanhos. Em primeiro lugar, o projeto permitirá que a cidade se torne livre do analfabetismo, depois vai possibilitar que ela execute a verba destinada para educação e, em terceiro lugar, o programa disponibiliza todo o material necessário, como televisores, cartilhas, painéis solares, professores. ..
Trabalhamos em municípios totalmente opositores a Evo. Houve um caso no departamento de Pando, por exemplo, em Bolpebra, uma cidade bem pequena, na fronteira com Brasil e Peru, e onde não havíamos entrado ainda. Mas era o único na região. As autoridades eram muito desrespeitosas com o pessoal de Cuba e da Venezuela, desconfiavam da gente, não nos queriam lá, até com escopetas nos ameaçaram... Não ingressamos nesse município até que o prefeito viesse nos pedir! Ele se deu conta que os municípios vizinhos, Cobija, El Porvenir, avançaram. Estavam se beneficiando do programa, com televisores, painéis solares... e também com os professores. E iam os médicos cubanos, para fazer exames de vista de aprendizado, eram distribuídos óculos. Exames de saúde eram feitos, e a população satisfeita. E o município “dele” era o único ainda da região que não tinha acesso a esses benefícios. Prefeitos totalmente opositores se dão conta que
vale a pena. O caminho do desenvolvimento, seja por qualquer via, socialismo ou o capitalismo, passa pela educação das pessoas.
Qual é o custo financeiro para se implementar o Yo, sí puedo?
Pablo: Todo o êxito do programa está vinculado diretamente à vontade política do governo. Isso relativiza o tema do custo. Hoje, o tema da alfabetização é uma prioridade real. Por isso o programa encontra todo o apoio necessário. Até agora, estamos fechando com 35 ou 36 milhões de dólares. Isso inclui tudo, tudo, tudo. O grosso desse custo não vai pro governo boliviano. O governo aportou 8 milhões de dólares, que sai dos contribuintes bolivianos. O restante, 28 milhões de dólares, é produto de doação em recursos como equipamentos e assessores, de Cuba e da Venezuela. Há os 8.350 painéis solares, que foram todos doados pelos dois países, e cada um custa 1,3 mil dólares.
Esses 36 milhões parecem uma cifra grande, mas, se dividirmos pelo conjunto de pessoas que foram alfabetizadas, não dá mais que 40 dólares por pessoa. O cálculo mais realista fica em torno de 150 dólares por participante.
Essa é a primeira vez que um programa de alfabetização se implementa em todo o país. Outros governos tratavam o assunto como uma obra de caridade. É uma iniciativa trinacional, entre Cuba Venezuela e Bolívia. Eu, particularmente, estou muito orgulhoso de fazer parte da equipe nacional. E, oxalá, iniciaremos agora uma experiência com o quarto país, o Paraguai.
Javier Labrada Rosabal, de 40 anos, é professor de Educação Física e Esportes e coordenador geral do Programa de Alfabetização boliviano, pela delegação cubana.
Pablo Quisber, de 36 anos, é historiador e coordenador nacional do programa pela Bolívia.
Creches municipais de SP terão plantão a partir de 6ª
Veículo: O Estado de S. Paulo
Data: 30/12/08
Estado: SP
A partir de sexta-feira, as creches municipais de São Paulo passam a funcionar em esquema de plantão. Os pais que têm filhos regularmente matriculados na rede municipal de creches e que não tiverem com quem deixar as crianças durante as férias das unidades escolares poderão se dirigir á instituição mais próxima de sua casa. O esquema vai até 31 de janeiro. Segundo a secretaria municipal de Educação, haverá, pelo menos, uma unidade em funcionamento por subprefeitura - são 31 na cidade. Nas regiões em que houver maior demanda, poderá ocorrer a abertura de mais de uma creche.
É o segundo ano consecutivo em que o funcionamento durante janeiro será em regime de plantão. Das 6 mil vagas ofertadas durante as férias de 2008, o dia de maior freqüência registrou a presença de 244 crianças. Ainda assim, tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) uma ação da Defensoria Pública obrigando o funcionamento integral de todas as unidades, sem interrupções. "A secretaria aguarda o julgamento do mérito da ação pelo TJ e, até segunda ordem, será adotado, novamente, o regime de plantão durante o mês de janeiro", informou a assessoria da secretaria.
Segundo a assessoria, o fechamento das unidades no período é realizado pela Prefeitura para serviços de manutenção, desratização e dedetização. A medida visa também a padronizar o período de férias de grande parte dos funcionários das creches. O plantão será adotado apenas nas creches administradas diretamente pela administração municipal. As unidades em que a administração é indireta ou conveniados entram em férias e só reabrem em fevereiro.
Data: 30/12/08
Estado: SP
A partir de sexta-feira, as creches municipais de São Paulo passam a funcionar em esquema de plantão. Os pais que têm filhos regularmente matriculados na rede municipal de creches e que não tiverem com quem deixar as crianças durante as férias das unidades escolares poderão se dirigir á instituição mais próxima de sua casa. O esquema vai até 31 de janeiro. Segundo a secretaria municipal de Educação, haverá, pelo menos, uma unidade em funcionamento por subprefeitura - são 31 na cidade. Nas regiões em que houver maior demanda, poderá ocorrer a abertura de mais de uma creche.
É o segundo ano consecutivo em que o funcionamento durante janeiro será em regime de plantão. Das 6 mil vagas ofertadas durante as férias de 2008, o dia de maior freqüência registrou a presença de 244 crianças. Ainda assim, tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) uma ação da Defensoria Pública obrigando o funcionamento integral de todas as unidades, sem interrupções. "A secretaria aguarda o julgamento do mérito da ação pelo TJ e, até segunda ordem, será adotado, novamente, o regime de plantão durante o mês de janeiro", informou a assessoria da secretaria.
Segundo a assessoria, o fechamento das unidades no período é realizado pela Prefeitura para serviços de manutenção, desratização e dedetização. A medida visa também a padronizar o período de férias de grande parte dos funcionários das creches. O plantão será adotado apenas nas creches administradas diretamente pela administração municipal. As unidades em que a administração é indireta ou conveniados entram em férias e só reabrem em fevereiro.
O Brasil em primeiro lugar
CLÓVIS ROSSI
SÃO PAULO- Reproduzo, por autoexplicativo, texto do boletim do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento: "Os brasileiros mais pobres vivem em condições de desenvolvimento humano comparáveis às da Índia, mas os 20% mais ricos vivem em situação melhor que a fatia mais rica da população da Suécia, da Alemanha, do Canadá e da França. As informações estão no relatório do Pnud que analisa os números recentes do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e cita um estudo europeu que conclui que países que atingiram nos últimos anos alto desenvolvimento humano, como o Brasil, ainda têm parte da população sofrendo privações comuns às de países do fim da lista".
Para quem ainda não sabe, o IDH é o índice que melhor mede o desenvolvimento de um país por misturar dados puramente econômicos, como a renda, com números sobre educação, saúde etc. Pois bem, se o Brasil fosse medido apenas com base nos 20% mais ricos, sua posição no ranking seria... adivinha qual? Sim, exatamente, primeiríssimo lugar, com 0,997, pertinho, pertinho da pontuação máxima (1).
Já os 20% mais pobres seriam jogados lá para atrás (0,610), perdendo até de Indonésia, Vietnã e Paraguai, para citar apenas países que são paupérrimos até a olho nu, sem necessidade de estatísticas. O texto acrescenta que a América Latina é o continente que apresenta as maiores desigualdades. No Brasil e em países como Guatemala e Peru, a diferença do IDH dos 20% mais pobres para o dos 20% mais ricos só não é superior à de alguns países da África, como Madagascar e Guiné. Pois é. E ainda tem gente que acredita na lenda de que a desigualdade no Brasil está diminuindo. De todo modo, feliz ano novo, especialmente para os que só seremos realmente felizes quando a lenda virar verdade.
SÃO PAULO- Reproduzo, por autoexplicativo, texto do boletim do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento: "Os brasileiros mais pobres vivem em condições de desenvolvimento humano comparáveis às da Índia, mas os 20% mais ricos vivem em situação melhor que a fatia mais rica da população da Suécia, da Alemanha, do Canadá e da França. As informações estão no relatório do Pnud que analisa os números recentes do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e cita um estudo europeu que conclui que países que atingiram nos últimos anos alto desenvolvimento humano, como o Brasil, ainda têm parte da população sofrendo privações comuns às de países do fim da lista".
Para quem ainda não sabe, o IDH é o índice que melhor mede o desenvolvimento de um país por misturar dados puramente econômicos, como a renda, com números sobre educação, saúde etc. Pois bem, se o Brasil fosse medido apenas com base nos 20% mais ricos, sua posição no ranking seria... adivinha qual? Sim, exatamente, primeiríssimo lugar, com 0,997, pertinho, pertinho da pontuação máxima (1).
Já os 20% mais pobres seriam jogados lá para atrás (0,610), perdendo até de Indonésia, Vietnã e Paraguai, para citar apenas países que são paupérrimos até a olho nu, sem necessidade de estatísticas. O texto acrescenta que a América Latina é o continente que apresenta as maiores desigualdades. No Brasil e em países como Guatemala e Peru, a diferença do IDH dos 20% mais pobres para o dos 20% mais ricos só não é superior à de alguns países da África, como Madagascar e Guiné. Pois é. E ainda tem gente que acredita na lenda de que a desigualdade no Brasil está diminuindo. De todo modo, feliz ano novo, especialmente para os que só seremos realmente felizes quando a lenda virar verdade.
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