Infância Urgente

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A FEBEM/CASA fala!

Caro Giva,

Sou assessor de comunicação social da Fundação CASA

Li seus comentários no blog Infância Urgente. Discordamos do tom deles, mas
acreditamos que o blog seja um meio eficaz de fazer críticas e alertar a
sociedade para o que anda errado.

No caso da Fundação CASA, nestes últimos tempos, temos tido mais acertos
que erros. Para ficar em alguns dados, os índices de rebelião caíram (80 em
2003 para 5 em 2007), os de reincidência despencaram (29% em 2006 contra
18% em 2007).

Escrevo este e-mail não como mera resposta às suas colocações - isso seria
o papel trivial de um assessor.

Não, o que eu gostaria era de marcar um encontro com você para que a gente
pudesse mostrar o outro lado, conversar francamente, ouvir seus pontos de
vista e abrirmos um canal de diálogo.

Peço isso sem cobrar a publicação de resposta alguma. Sei que muitas
críticas que recebemos são fruto de um passado em que eles eram justas e
cabíveis. Hoje, graças a muito trabalho, estamos mudando este passado e
gostaríamos de sua colaboração neste processo.

É isso, meu caro.

Abraços e boa sorte com o blog

Lucas Tavares

Coordenador de Comunicação Social da Fundação CASA

Caro Lucas,

Aceito todo e qualquer tipo de conversa, desde que seja pública, alias em 3 ocasiões diferentes já foram marcados debates entre o Fórum e a presidente da FEBEM/Fundação Casa e ela não compareceu em nenhuma, só em um caso quando marcamos uma reunião com a Pastoral do Menor,ou seja, uma reunião institucional não pública, desmarcamos porque a Pastoral ingenuamente ou não convidou a presidente da FEBEM/Casa para participar.

Como você pode perceber, em momento algum nos furtamos em dialogar com a instituição, ao contrário já participamos da discussão de 6 projetos para a instituição, que nunca foram aproveitados. Um emblemático, com a participação do Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público, CONANDA,CONDECA, CMDCA, CTs e diversas outras instituições e o governador à ocasião ignorou totalmente essa rica construção desses diversos atores.

Estamos organizando um Seminário na Assembléia Legislativa para discutir a política para a Criança e o Adolescente no estado de São Paulo e iremos convidar a presidente da instituição, esse seria o momento ideal para esse debate público, para que ela possa apresentar e debater as mudanças ocorridas, o que seria muito rico, já que juntaremos muita gente da área .

Em relação às mudanças, a sua visão é a de governo, fará a defesa do governo(claro!), mas os desvios são tantos e inexplicáveis que a instituição é indefensável. Começando pela arquitetura, que é muito diferente inclusive da que o SINASE propõe (que é o modelo que o estado alega está implantando), declarado publicamente pela atual Vice Presidente do CONANDA Carmem Silveira e presidente a ocasião, que o que se faz aqui, não tem relação com o que está definido no SINASE enquanto modelo arquitetônico, nem a interpretação que o estado de São Paulo tem para co-gestão, que aqui virou privatização, palavras não só nossas, mas da ex-Presidente do CONANDA, conferência estadual e nacional da criança e do adolescente de 2007.

Não posso confiar em dados que não posso conferir diretamente e que são desencontrados em diversas ocasiões, também não posso confiar em informações de uma instituição que funciona ao arrepio da lei e que não se permite fiscalizar (qual o temor?), se formos verificar o número de BOs de Conselheiro Tutelares pelo desrespeito a ação conselheira que essa instituição continua cometendo,contra o mais importante órgão de fiscalização do cumprimento do que está previsto no ECA, verificaremos que de longe lembra uma entidade que se diz mudada e por favor, já trabalhei na instituição, fui Conselheiro Tutelar e discuto essa instituição a mais de 16 anos, então os argumentos tem que ser bem escolhidos e consistentes para me convencer e convencer o movimento social de defesa dos direitos da criança e do adolescente, peço para não me falar da ouvidoria como controladora da instituição, pois é impossível um cargo de confiança do governo fiscalizar o próprio governo, em que pese eventual competência dos ocupantes do cargo.

Falei na segunda pessoa do plural, porque sou parte de um coletivo maior da sociedade civil, não sou um personagem televisivo, nem tão pouco personalista, por isso esse debate se interessar, deve ser aberto e amplo para que todos aqueles que conhecem a realidade da instituição, reflete e produz sobre ela possa manifestar seu olhar sobre a realidade que o governo tem empregado todos os seus esforços para que a sociedade não tenha conhecimento.

Muito obrigado pelos cumprimentos e desejo o mesmo para você.

Estarei publicando seu email e a minha resposta em meu blog.



Velha/Nova Febem/Fundação Casa 4


Denuncia e pergunta de um anônimo:

A Fundação CASA acaba de quebrar mais uma vez o ECA quando coloca adolescentes de 12 anos com os de 21 anos, havia sido uma batalha conseguir poupar os pequenos a influencia dos maiores ... mas agora tudo volta a ser com era antes e como ja vem acontecendo no Bom Reitro ... como as autoridades que defendem os Direitos da Criança e do Adolescente não acompanham esse processo ...???

29 de Fevereiro de 2008 09:04

AMAR

Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.

(Vladimir Mayakovsky - Poeta Russo).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 3

Hoje mais um tumulto na UIP-9 , nem uma informação sai para fora dos muros da Febem/Casa, nem um esforço da chamada grande imprensa, semana passada foi a UIP-11 nada saiu nos jornais, saiu a morte do adolescente que foi assassinado por outros adolescentes em Franco da Rocha, segundo as informações repassada aos meios de comunicação.

O interessante nessa história toda é que, os acontecimentos nas unidades que a imprensa considera menor, ou como já sabemos blindou mesmo o governador e o seu partido em relação aos acontecimentos da FEBEM/Casa, mas a morte um adolescente deveria despertar um pouco mais de curiosidade, afinal é uma morte! Cadê a imprensa investigativa? Será que ouviram a mãe?? Será que sabem o que o adolescente vinha falando para a mãe nos últimos dias?

Uma hora esse cerco vai ter que ser rompido, não se pode infinitamente esconder situações tão graves como as que acontecem entre muros da Febem/Casa!

Sentimento do mundo

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor. Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desjeo, morto o pântano sem acordes. Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis. Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho desafiando a recordação do sineiro, da viúva e do microscopista que habitavam a barraca e não foram encontrados ao amanhecer esse amanhecer mais que a noite.


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 2

Tomei uma decisão a uma semana de enumerar as noticias sobre a FEBEM/Casa, que a grande imprensa não noticia.

Tumulto deixa funcionários e jovens feridos na Fundação Casa

Dois funcionários tiveram ferimentos leves, foram medicados e liberados.
Três jovens também ficaram feridos e receberam atendimento médico.
Adolescentes promoveram um tumulto na noite de domingo (24) na Fundação Casa de Taquaritinga, a 330 km de São Paulo. Dois funcionários tiveram ferimentos leves, de acordo com a assessoria da fundação, mas foram medicados e liberados. Três jovens também ficaram feridos e receberam atendimento médico.
De acordo com a assessoria da fundação, a maioria dos 54 internos - a unidade tem capacidade para 56 - participou da confusão. A polícia informou que os jovens danificaram portões, na tentativa de chegar ao pátio interno da unidade. Não houve tentativa de fuga ou reféns, segundo a fundação.
A revolta dos jovens teria sido motivada pela presença de um interno detido sob suspeita de atentado violento ao pudor. Os funcionários entraram para tentar conter a briga e acabaram feridos. Três jovens com ferimentos leves na cabeça e nos braços foram atendidos em um pronto-socorro da cidade, retornando em seguida à unidade.
Os internos só aceitaram voltar aos dormitórios três horas depois do início do tumulto. De acordo com a assessoria da fundação, mesas, cadeiras e vidros foram quebrados durante a confusão. O jovem que teria motivado o tumulto foi transferido para outra unidade da Fundação Casa. Alguns adolescentes passaram por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) da cidade.
fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL312661-5605,00-TUMULTO+DEIXA+FUNCIONARIOS+E+JOVENS+FERIDOS+NA+FUNDACAO+CASA.html

OS ABSURDOS DA CORTE SEM DENTES!


A corte brasileira sempre foi cega , surda e muda para a racionalidade e para o povo brasileiro. Vejamos dois últimos acontecimentos de relevância que trata das questões relacionadas a infância e vejam como as aparentes diferenças na corte não existe .

O deputado Carlos Sampaio(PSDB-SP), como seu primeiro ato no ano parlamentar, foi chamar todas as propostas de revisão ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que estavam na comissão de segurança pública com a proposta de melhorar o ECA. Só que a maioria das propostas, além de vir de uma comissão inadequada para debater o tema, retroagem mais de 60 anos na história do país no que diz respeito aos avanços dos direitos da criança e do adolescente, logo o deputado Carlos Sampaio é um inimigo da criança e do adolescente.

Não menos feliz, foi a proposta do
Luiz Bassuma (PT/BA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida Contra o Aborto, que simplesmente é defensor do parto anônimo, que nem vale a pena o comentário deste que vos escreve, pois só lembremos que isso faz parte da mentalidade do século XVI,XVII, quando tivemos aqui instaladas as rodas do enjeitados, expostos etc. Esse é mais um inimigo da criança e do adolescente.

Com o podemos vê , nessa arena da efetivação dos direitos da criança e do adolescente, não existe lado partidário, as balas e absurdos vem de todos os lados.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Dicas

A internet nos oferece diversas oportunidades, quero as vezes indicar alguns sites interessantes que valem muito uma visita nossa, para saber o que tá rolando de bom.

Queria indicar dois sites. O site do Museu da Pessoa que seus idealizadores definem:É um museu virtual de histórias de vida aberto à participação gratuita de toda pessoa que queira compartilhar sua história:www.museudapessoa.net

O outro site é o Porta Curtas http://www.portacurtas.com.br/, que é um site patrocinado pela Petrobrás que tem uma vasta videoteca da produção de curtas e documentários brasileiros, só para ter uma idéia, tem entre os filmes o premiado curta Ilha dos Flores, do comprometido diretor Jorge Furtado.

Espero que aproveitem essas dicas.

Democracia Participativa pela Democracia Participativa.


Na sexta 22/02, o Fórum Municipal e o Fórum Estadual de defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, estimulado pela Associação Popular de Moradores do Jardim Piratininga, oragnizaram o primeiro Seminário " A Democracia Participativa pela Democracia Participativa", na mesa contou com a presença do Movimento de Saúde, representado pela Cicera, Movimento de Moradia, Raimundo Bonfim, Movimento de Assistência Social, Willian Lisboa e o Movimento da Infância, Aurea Fuziwara, e os representantes da organização,Jeremias (Associação Mor. do Jd.Piratininga), Lourival (Fórum Municipal DCA) e este que vos fala representando o Fórum Estadual DCA.

As reflexões foram de excelente qualidade, os diversos movimentos tiveram plena concordância em relação a necessidade de construir a unidade da luta dos movimentos sociais, a necessidade de fazer um balanço dos anos de luta pela mudança do marco legal referencial da conquista da democracia, uma reflexão sobre os mecanismos que foram construídos de participação popular, qual a concepção de estado dos movimentos sociais, entre outras propostas.

Ficou decidido que aconteceria um ciclo de seminários, com a intenção da Democracia Participativa discutir as diversas questões que dizem respeito a democracia.

O grupo ficou constituídos dos realizadores e do proponente do primeiro, ampliados do Movimento de Saúde, Central de Movimentos Populares, Comissão Permanente do Conselhos Tutelares da cidade de São Paulo, Movimento de Moradores e rua, Movimento de Assistência Social , Cedeca Ipiranga, entre outros.

Sobre a doação casada

O Conanda na sua última assembléia depois do debate do dia 20/02, decidiu não tomar posição ainda em relação ao ponto mais polêmico em relação a resolução dos Fundos da Infância e adolescência, que é a possibilidade de acontecer doações casadas/direcionadas.

O que podemos entender disso, é que ainda paira a duvida do Conanda de se entender como órgão de estado e entender qual o papel do estado. Para que tenhamos a dimensão do que seria a doação casada/direcionada, seria a mesma coisa, que o prefeito,governador ou presidente abrir mão do seu papel para que principalmente a inciativa privada possa dizer para onde devem ir os recursos dos impostos arrecadados!

É mole? Não não é , infelizmente temos dessa ainda em nosso país e principalmente entre nós que lutamos e tentamos garantir o direito dos meninos e meninas. Não podemos ter duvidas em relação a construção de uma das políticas mais estratégicas de um país, transferindo ao grupos de interesses diversos, que se utilizam só da chancela de comprometimento social sem se preocupar, com planejamento, impessoalidade (como deve ser a aplicação do recurso público) e conseqüência da aplicação do recurso publico.

Se os empresários (principalmente), estão preocupados de fato com a boa utilização do recurso, existe duas formas de contribuir, a primeira utilizar todos os meios disponíveis para a fiscalização dos recursos públicos, principalmente aqueles que são utilizados em obra públicas, segundo os Conselhos estão abertos para todo o conjunto da sociedade, portanto através de órgão de representação empresarial, que tenha em seu Estatuto Social a defesa dos direitos da criança e do adolescente, podem participar dos conselhos, contribuindo e muito com métodos de planejamento , gestão, avaliação etc .

Esta sim, seria uma grande contribuição do empresariado, não tentando destinar recursos dos fundos para responder aos seus interesses e não aos interesses da infanto-adolescência.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

video

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

OS INDIFERENTES

OS INDIFERENTES
Antonio Gramsci
11 de Fevereiro de 1917


Primeira Edição: La Città Futura, 11-2-1917Origem da presente Transcrição: Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci"
Tradução: Pedro Celso Uchôa Cavalcanti.
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de: Fernando A. S. Araújo
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.

Velha/Nova FEBEM/Fundação Casa 1

Velha/Nova FEBEM/Fundação Casa

Na noite do dia 18-02-2008, por volta das 20h00 houve um "tumulto" na Unidade Internação 34 Rio Sena/SP, /FEBEMFundação CASA (Compexo do Brás)... A situação foi controlado por diversos servidores públicos (funcionários da FEBEM/Fundação CASA, inclusive de outras unidades do Complexo Brás...) por voltas das 21h30m., porém após a situação já estava sobre o controle e alguns adolescentes sofreram agressões físicas e humilhações

O resultado dessa ação, foi saldo de 5 adolescentes feridos,a defensoria em visita no dia 19-02, fez o levantamento e tomará as providências devidas.

Pergunta que não quer calar. A quem o governo do estado está querendo enganar?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Meu amor pelos temporais

Precisamos de ventos que arremessem
nossas naus nos mares de todo mundo
De ventos calamitosos, arrebatedores, que ventem corpos e almas
São ventos que precisamos

Precisamos de ventos que tragam raios e temporais
Daqueles que nos assustavam
E faziam nossos corações de criança dar saltos dentro do peito

Precisamos de ventos vendavais
Não e brisas comportadas que mal desalinhavam nossos penteados
Mas de furiosos ventos que arrastam estruturas
Demolem igrejas, destroem templos
Ventos que arrastam pensamentos, dissolvem idéias, solapam medos

Precisamos de ventos que tenham o cheiro de rosas de um certo abril português
Dos maios e das mães da praça
Ventos que levem as gaivotas para o deserto
E que tragam as areias do sertão para os palácios de governo

Precisamos de ventos parideiros
Que deles germinem revoltas e motins
Gargalhadas e o rufar de tambores dos obreiros argentinos
Que atravessem nossos ossos e arrombem grades e calabouços
Que destelhem os sótãos de nossas memórias e tragam à luz os diários
de nossas batalhas

Precisamos de ventos que sequem nossas lágrimas
Que levem às alturas as pipas de nossos meninos
Que mostrem aos homens que tudo que encobre pode ser arrancado
Que tudo que está pode partir no turbilhão
E que se ventar muito forte, mas muito forte mesmo
Seremos capazes de voar



Heitor Alves Pereira

ECA na ponta da pauta

Na próxima quarta feira, 20 de fevereiro, o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) estará realizando uma reunião com o tema: RESOLUÇÃO SOBRE REGULAMENTAÇÃO DOS FUNDOS.

O que significa a regulamentação dos fundos?

Neste caso a regulamentação quer dizer, sim ou não para "VERBA CASADA".

VERBA CASADA - Problemas:

1. Na maior parte dos casos, os projetos beneficiados pela VERBA CASADA passam por cima das prioridades absolutas do município, ou seja, se o CMDCA possui um plano de aplicação de recursos do FUNDO a legalização da VERBA CASADA ameaça esta organização democrática, pois o Plano tem como base um estudo feito pelas câmaras temáticas (CT - Políticas Públicas Prioritária para Criança e Adolescente – Quando o CMDCA está organizado em Câmaras Temáticas).

2. Este formato utilizado para captar recursos desrespeita o processo democrático e participativo, fragilizando as decisões do CMDCA. Por que isso? Com a Verba Casada as organizações governamentais e não-governamentais passam a atuar na promoção de sua própria instituição, e de seus próprios programas (Qual o Risco: Projetos Eleitoreiros, Marketing Social Imoral, descumprimento das políticas de proteção especiais e prioritárias no município) neste caso a criança e o adolescente estarão sempre em segundo plano.

3. Cabe ao CMDCA não aceitar esta prática no município, e cabe a todas as organizações do movimento de defesa dos direitos da criança e do adolescente a consciência de fortalecer o Conselho e não sua própria entidade.

Basta olhar de que lado estamos: De DEUS ou do CAPETA?

Das crianças ou da imoralidade político-partidária que corrompe o país?

Se tivermos um CMDCA sério e fortalecido, teremos nossa preocupação voltada para o cumprimento do ECA e voltada para elaboração de projetos que atuem nos problemas de violações que sofrem diariamente crianças e adolescentes.

Não estamos interessados no poder, apenas acredito na possibilidade de fazermos de forma simples os planos necessários para implementar políticas de proteção à criança e ao adolescente mais eficazes, humanas e contínuas.

Espero que este texto ofereça a todos um momento de reflexão saudável e lúcido com relação a este tema, os perigos que a VERBA CASADA apresenta e como podemos contornar esta situação apenas agindo de maneira séria. Na história da Humanidade todo império um dia cai, e aí que veremos o quanto não foi feito nada para contribuir com o desenvolvimento e a garantia da dignidade das crianças de nossas cidades.

O CMDCA não pode se transformar em uma local de disputa partidária ou de trampolim político para pretensos vereadores ou numa bancada de projetos de governo. As crianças precisam ser tratadas com mais respeito, elas não podem ser trocadas pela facilitação do interesse econômico.

Abraço a todos e até a nossa próxima conversa.

Danilo Meirelles de Souza

Educador Social

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Seminário Democracia Participativa

O FÓRUM MUNICIPAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DA CIDADE DE SÃO PAULO E O FÓRUM ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE SP

CONVIDAM:

Seminário: "DEMOCRACIA PARTICIPATIVA PELA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA"

Este encontro tem como objetivo contextualizar o desenvolvimento dos órgãos e espaços que constituem a Democracia Participativa, impulsionada, especialmente, pelas mobilizações constituintes, mas que hoje se ressente por retrocessos provocados por omissões, abusos e prevaricações protagonizadas por amplos atores dos três poderes. As dificuldades para a organização, mobilização e consolidação da Democracia Participativa se ampliam, também, na sociedade civil, por ações corporativas de alguns e por escassez de debates e definições acerca de como se deve viabilizar e custear esta Democracia Participativa.
Objetiva-se, ainda, compartilhar esta reflexão com todos os demais movimentos sociais que ainda resistem na luta pela democracia, na tentativa de conjugar esforços para desfragmentar a mobilização social, no sentido de trilharmos um caminho único pela conscientização da importância da participação popular no desenvolvimento das políticas públicas dentro de todos os entes da federação.

MESAS

09hOO Histórico, apresentação e reflexão sobre a proposta do ciclo de seminários

· Associação Popular de Moradores do Jardim Piratininga
· Fórum Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
· Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente

10h00 Os movimentos Sociais hoje

· Movimento Social de Moradia
· Movimento Social de Saúde
· Movimento Social de Assistência Social
· Movimento Social da Criança e do Adolescente

11h20m Debate

13h00 Encaminhamentos


Iniciativa:
Associação Popular de Moradores do Jardim Piratininga

Realização:
Fórum Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo e Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de SP

Apoios:
Associação dos Conselheiros Tutelares do estado de São Paulo, CEDECA Caminhos Ipiranga, UNAS União de núcleos , associações e sociedades de moradores de Heliópolis e São João Clímaco, Fórum DCA Regional do Ipiranga, Sindicato dos trabalhadores em empresas ferroviárias central do Brasil-Zona Leste, Fórum Regional DCA da região Sé


Data: 22/02/2008
Horário: 09h00 às 14h00
Local: Câmara Municipal de São Paulo
Sala Sérgio Vieira de Melo
1º Subsolo

ESTAMOS CHEGANDO (Missa dos Quilombos)

Estamos chegando do fundo da terra. estamos chegando do ventre da noite, da carne do açoite nós somos viemos lembrar.
Estamos chegando da morte nos mares, estamos chegando dos turvos porões, herdeiros do banzo nós somos, viemos chorar.
Estamos chegando dos pretos rosários, estamos chegando dos nossos terreiros, dos santos malditos nós somos, viemos dançar.
Estamos chegando do cl1áo da oficina, estamos chegando do som e das formas, da arte negada que somos, viemos criar.
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Do Exílio da vida, das Minas da Noite, da carne vendida, da Lei do açoite, do Banzo dos mares. aos novos Albores! vamos a Palmares todos os tambores!!!
Estamos chegando dos ricos fogões, estamos chegando dos pobres bordéis, da carne vendida nós somos, viemos amar.
Estamos chegando das velhas senzalas, estamos chegando das novas favelas, das margens do mundo nós somos, viemos dançar.
Estamos chegando dos trens dos subúrbios, estamos chegando nos loucos pingentes, com a vida entre os dentes chegamos, viemos ·cantar.
Estamos chegando dos grandes estádios, estamos chegando da escola de samba, sambando a revolta chegamos, viemos gingar.

Estamos chegando do ventre das Minas, estamos chegando dos tristes mocambos, dos gritos calados nós somos viemos cobrar.
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Estamos chegando da Cruz dos Engenhos, estamos sangrando a cruz do Batismo, marcados a ferro nós fomos, viemos gritar.
Estamos chegando do alto dos morros, estamos chegando da lei da Baixada, das covas seu nome chegamos, viemos clamar.
Estamos chegando do chão dos Palmares, estamos chegando do som dos tambores, dos Novos Palmares nós somos, viemos lutar.

Novo Começo!

Diante das dificuldades de utilizar com facilidade as ferramentas do antigo espaço do meu Blog, decide que era hora de mudar, depois de um período de testes aqui nesse novo espaço , avaliei que definitivamente que valia a pena a troca, facilitará e muito a visualização, que é mais didática e adequada aos leitores do meu blog.

Continuarei com a mesma proposta, fazendo quando necessários comentários, postando informações importante para a política da infância e adolescência e a organização do Movimento Social de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, mantendo os princípios e coerência talhados nos anos de luta para efetivação dos direitos dos meninos e meninas do nosso país.