Infância Urgente

domingo, 9 de janeiro de 2011

MORRE MAIS UM TRABALHADOR RURAL EM ÁREA DE CONFLITO


Ai de vós, doutores da Lei, que tomaste a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar.
Lucas (11.12)

É com imenso pesar que noticiamos mais uma morte no município de Monte Santo, ao que tudo indica, resultado do conflito agrário na comunidade de fundo de pasto da Serra do Bode. Antonio do Plínio, como era conhecido, foi morto a tiros e, segundo as informações que nos chegam, teve a cabeça degolada, num ato de crueldade que deixa pistas sobre a verdadeira intenção dos algozes: silenciar pelo medo os trabalhadores rurais que resistem às tentativas de grilagem das áreas de Fundos de Pasto na região.

Em 30/06/2010 a comunidade foi surpreendida com uma medida liminar, expedida pelo Juiz de Direito da Comarca de Monte Santo, determinando a reintegração de posse da área para um indivíduo cuja qualificação no processo indica residir na Pituba, em Salvador. Em 17/12/2010, a Desembargadora Daisy Lago Ribeiro Coelho negou a suspensão da liminar, em agravo de instrumento, mesmo com os alertas sobre a possibilidade de conflitos mais graves na comunidade.

Ainda não temos maiores informações sobre as demais circunstancias da morte do Sr. Antonio, razão pela qual não podemos entrar em maiores detalhes.

                Fica, no entanto, a certeza de que lutaremos até o fim que mais esta morte não tenha sido em vão, pois somente com a Terra Livre é que poderemos ter paz no campo.

Segue em anexo um breve relatório com o resumo do conflito


Monte Santo, 07 de janeiro de 2011


Equipe Executora do Centro de Referencia em Assessoria Jurídica Popular às Comunidades Tradicionais de Fundo de Pasto, Quilombolas e Pescadores Artesanais de Monte Santo e Região.


exibição do documentário: “Um outro mundo é possível – Luta pela Amazônia”


O Instituto Rosa Luxemburg Stiftung convida para a exibição do documentário:
“Um outro mundo é possível – Luta pela Amazônia” de Martin Kessler


Local:  Instituto Rosa Luxemburg – endereço: rua Ferreira de Araujo, 36 – Telefone: 37969901
Data:  15/01/2011 (sábado)
Horário: 18hs

Sua foto em 1989 girou o mundo: falamos da índia Tuíra Kayapo, que com um facão atacou o representante do consórcio de energia da Eletrobrás na época. Um protesto contra a planejada destruição do habitat natural indígena, graças a construção da usina hidrelétrica de “Belo Monte”, no rio Xingú (coração da Amazônia).

Resistências locais e internacionais conseguiram barrar “Belo Monte” naquele ano. Agora o atual governo Dilma quer finalmente terminar o maior projeto hidroelétrico brasileiro da atualidade. Como dizem, para dotar as empresas de mineração internacionais e indústrias com "eletricidade barata" e para “desenvolver economicamente" a Amazônia. Em consequência da obra será inundado cerca de 500 km quadrados de vegetação nativa. Contra isso estão na luta a população indígena e ribeirinha.

No inicio de 2009, com sua câmera, o cineasta alemao Martin Keßler visitou Belo Monte e o povo do rio Xingú. Ele investigou a fundo o sistema lucrativo relacionado a energia e ao alumínio na região. Ao mesmo tempo defrontou-se com pescadores em seus casas miseráveis, com a crise financeira internacional e com metalúrgicos alemães e brasileiros. Além disso, conversou com o Presidente Lula, com o chefe da Secretária de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, com Dom Erwin Kräutler, o bispo católico de Altamira, com o Teólogo Leonardo Boff e com a legendária índia Tuíra Kayapo. E muitos outros, que de todos os cantos do planeta foram ao Fórum Social Mundial, realizado na capital Belém (AM) em 2009, para lutar pela preservação do meio-ambiente e pela ideia de que um outro mundo é possível. Um mundo que não se trate em maximizar lucros, mas sim em naturalizar economia e vida, conservando dessa forma o nosso planeta. Assim como a população indígena o vem praticando há séculos.


Datas da Tourne no Brasil:

11.01.2011 – Brasília (Centro Cultural de Brasília) 15:00hs
                    Av. L2 Norte, Quadra 602

12.01.2011 – Rio de Janeiro  (Banco do Brasil) 10:00hs
                    Lelio Gama 105, 21˚andar, Auditório
                    Inscrições através do e-mail: acie@acie.org.br

15.01.2011 – São Paulo (Fundação Rosa Luxemburgo) 18:00hs
                    Rua Ferreira de Araujo, 36

17.01.2011 – Barcarena, (Sindicato dos Metalúrgicos - SIMEB) 19:00hs
                    Avenida Jerônimo Pimental, 291 - Lotes 11 e 12

21.01.2011 – Altamira (Movimento Xingu Vivo para Sempre)
                     
Todas as exibições do documentário contarão com a presença do cineasta Martin Kessler, assim como de líderes e participantes de movimentos sociais e políticos, sendo realizado após o filme uma discussão sobre o tema abordado. Em especial, nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e  Altamira estará presente Dom Erwin Kräutler, bispo da prelazia do Xingú e atual ganhador do Prémio Right Livelihood 2010 –  prêmio nobel alternativo.


Contamos com a sua presença!
Para a exibição no Rio de Janeiro, os interessados devem se inscrever pelo e-mail: acie@acie.org.br

Apoio(s): Fundação Heinrich-Böll,  Fundação Rosa-Luxemburgo, Fundação Menschenwürde und Arbeitswelt, Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha (IG Metall), Sindicato dos Metalúrgicos de Bacarena (SIMEB), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Movimento Xingú Vivo para Sempre.





quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 194 em resposta ao pedido

Cara Senhora,

Embora o porta voz bedel da FEBEM tenha dito o contrário, sabemos dos inúmeros abusos que a instituição tem cometido contra os adolescentes internos na FEBEM, a sua é mais uma de inúmeras denuncias que nos chegam diariamente. Esperei até agora para responder, porque esperava que a forma ciosa que o Bedel da FEBEM tem em defender, tivesse em relação a garantia dos direitos dos adolescentes, como a senhora e os leitores desse Blog podem perceber, o silencio dele denuncia os seus interesses.

A sua denuncia enviei ao Conselho Tutelar de Sorocaba, para o Conselheiro Tutelar Manoel Castilho, peco que o procure, como também procure o escritório politico do deputado estadual Raul Marcelo, para ambos a senhora poderá falar em meu nome, que a orientei a procura-los, que com certeza a sua denuncia sera dada encaminhamento, que espero que a senhora me retorne falando dos resultados.

contatos e endereços:

CONSELHO TUTELAR DE SOROCABA
Rua Dr. Armando Salles de Oliveira, 211 – Trujilo 
Telefone: 15 - 32320951 - 32341704 - 32320841

Escritório Político deputado Raul Marcelo em Sorocaba
Rua Goiás, 126 – Centro – 18035-550
Fones: (15) 3411-0041 e (15) 3411-0042

Governo Lula-Dilma cria fundação estatal de direito privado pra gerir saúde nos hospitais universitários federais

No apagar das luzes, a privataria na saúde aparece!!!
 
 
MEDIDA PROVISÓRIA No - 520, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2010

Autoriza o Poder Executivo a criar a empresa pública denominada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares S.A. - EBSERH e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:

Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a criar empresa pública sob a forma de sociedade anônima, denominada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares S.A. - EBSERH, com personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério da Educação, com prazo de duração indeterminado.

§ 1o A EBSERH terá sede e foro em Brasília, Distrito Federal, e poderá manter escritórios, representações, dependências e filiais em outras unidades da Federação.

§ 2o Fica a EBSERH autorizada a criar subsidiárias de âmbito regional para o desenvolvimento de atividades inerentes ao seu objeto social.

Art. 2o A EBSERH terá seu capital social representado por ações ordinárias nominativas, integralmente sob a propriedade da União.

Parágrafo único. A integralização do capital social será realizada com recursos oriundos de dotações consignadas no orçamento da União, bem como pela incorporação de qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro.

Art. 3o A EBSERH terá por finalidade a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar e laboratorial à comunidade,

assim como a prestação, às instituições federais de ensino ou instituições congêneres, de serviços de apoio ao ensino e à pesquisa,

ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde pública.

Parágrafo único. As atividades de prestação de serviços de assistência médico-hospitalar e laboratorial de que trata o caput inserirse-ão integralmente no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS.

Art. 4o Compete à EBSERH:

I - administrar unidades hospitalares, bem como prestar serviços de assistência médico-hospitalar e laboratorial à comunidade, no âmbito do SUS;

II - prestar, às instituições federais de ensino superior e a outras instituições congêneres, serviços de apoio ao ensino e à pesquisa, ao ensino-aprendizagem e à formação de pessoas no campo da saúde pública, mediante as condições que forem fixadas em seu estatuto social;

III - apoiar a execução de planos de ensino e pesquisa de instituições federais de ensino superior e a outras instituições congêneres, cuja vinculação com o campo da saúde pública ou com outros aspectos da sua atividade torne necessária essa cooperação, em especial na implementação da residência média multiprofissional nas áreas estratégicas para o SUS.

(Para quem não sabe, essa Medida Provisória é uma consequência do decreto 7982, publicado em janeiro de 2010 e que criou o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais, cujas maiores metas são reestruturar o quadro de pessoal dos hospitais universitários federais, melhorar o financiamento, gestão e estrutura física dessas instituições, além de recuperar e modernizar seu parque tecnológico. Ressaltando que as Fundações foram rejeitadas pela XI Conferência Nacional de Saúde)

MANIFESTO DOS PROFISSIONAIS, PESQUISADORES , PROFESSORES VINCULADOS À SAÚDE E ENTIDADES ESTUDANTIS E DE ENSINO


Vimos a público alertar o conjunto do povo para outra grave ameaça aos direitos democráticos à saúde duramente conquistados no bojo das mobilizações de massa pelas liberdades democráticas e direitos sociais, que culminaram na Constituição de 1988.
O Plenário da Assembléia Legislativa paulista aprovou na noite de terça-feira, 22/12, véspera dos feriados de final de ano, o Projeto de Lei Complementar 45/2010, do Executivo, que permite as Organizações Sociais, entidades privadas que gerem hospitais estaduais, utilizarem até 25% de sua capacidade para atender pacientes privados com ou sem planos de saúde. O que significa que o investimento que foi feito com recursos públicos, extraídos dos impostos pagos por toda a população brasileira será disponibilizado de forma não igualitária, ao permitir uma entrada diferenciada para aqueles que tenham fontes privadas de financiamento. Ou seja, ao invés de critérios de prioridade baseados na necessidade de saúde, critérios de discriminação econômica. O projeto é omisso e delega ao Secretário Estadual de Saúde questões fundamentais: quem fará a cobrança? Como serão aplicados esses recursos? Quanto custará esses atendimentos? O preço cobrado cobrirá os custos ou haverá subsídio público? O Ministério Público de São Paulo já considerou o projeto inconstitucional por atentar contra a equidade.
Os argumentos utilizados pelo Governo Estadual de que a população com planos privados de saúde, que representa cerca de 40% da população do Estado de São Paulo, já utiliza a rede pública e o que a Lei permitirá ao Estado ressarcir esses custos são um falseamento da realidade, pois já existe a obrigação desse ressarcimento através de mecanismos organizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar que, se não funcionam a contento, devem ser modificados para sua efetiva implementação.   Além disso, já existe em São Paulo a Lei 9058/1994, que dispõe sobre o reembolso de valores correspondentes a seguro-saúde de beneficiários atendidos gratuitamente na rede pública, não aplicada até então.
Com isso, caem as mascaras que encobriam os verdadeiros objetivos da chamada Reforma do Estado, iniciada em 1995. Para amainarem as resistências, se declaravam reformas gerenciais objetivando aumentar a eficiência do Estado através da flexibilização de regras processuais (contratação de pessoal e compra de material através de regras inerentes ao setor privado) e do controle através de resultados, mas que preservavam o acesso exclusivamente público da clientela. Após 12 anos de existência, o projeto completo se revela e, como já vinha sendo alertado, tem a cara do Banco Mundial. O Banco, desde o final dos anos 80, como instrumento do neoliberalismo, vem recomendando a reforma do sistema de saúde, :atribuindo ao Estado o fornecimento de uma cesta básica de cuidados primários para a população de baixa renda (vacinas, medicamentos de uso continuado para determinadas patologias e atendimento ambulatorial de baixa complexidade e resolutividade),   permanecendo a atenção de maior complexidade, de acesso mais restrito, fornecida pelo setor privado, à ser paga pela população, com ou sem subsídio do estado. Para isso, recomendam a transformação das unidades públicas de saúde em organizações privadas que cobram os serviços, sejam aos planos ou ao SUS.
Há 12 anos muitos de nós antecipamos em documentos e análises de caráter técnico-científico que a criação dos OS e OSCIPS para gerir hospitais públicos acabaria num cenário de privatização.  Esta análise tem sido sistematicamente considerada como dogmática por representantes do Estado e até da própria comunidade técnico-científica, em diversos eventos onde os projetos foram debatidos, como nas Conferências Nacionais de Saúde. Propostas atuais supostamente voltadas à modernização da gestão não levam em conta quem tem o poder, ou seja, a ainda hegemônica conjuntura internacional e nacional de reforço de relações de dominação dos mercados mundiais por parte de poucos países ricos e de enquadramento dos chamados emergentes, como o Brasil, a esquemas de produção e consumo, altamente excludentes, do ponto de vista social. Nesses países, o Estado, ao invés de indutor de desenvolvimento e inclusão, serve como coordenador da subordinação ao capital internacional, o que faz mantendo as velhas práticas patrimonialistas, ou seja, de apropriação da coisa pública por grupos de poder em benefício próprio. Isso nos autoriza a antever a mesma trajetória nos diversos projetos que se consideram, como as OS se consideravam em 1998, exclusivamente públicos. Nos referimos as Fundações Estatais de Direito privado e outros projetos que descaracterizam o caráter impessoal do Estado e profissional de seus servidores.
Qual o significado real do PL 45/2010 e suas conseqüências:
a)      Reforça a extensão em curto prazo dos planos privados de saúde para as rendas menores ao viabilizar a utilização de uma capacidade instalada existente e montada com recursos públicos, sem nenhuma necessidade de investimentos por parte do setor privado. Pesquisa recente do IBGE (AMS de 2009) revelou que a oferta privada de leitos privados e totais no Estado está na beira da saturação, dificuldades de internação existindo tanto no SUS quanto na área privada. Entre 2005 e 2009, a cobertura de planos de saúde do Estado cresceu 16,8% enquanto a oferta de leitos privados cresceu apenas 3,8%.
b)      Viabiliza a redução do já minguado orçamento público para a saúde, ao permitir a substituição, nos contratos de gestão com as Organizações Sociais, de recursos públicos para custeio por recursos privados, garantindo o permanente ajuste fiscal para equilíbrio das contas públicas e o desvio do orçamento para manutenção da política de juros altos, endividamento do Estado e políticas sociais focais compensatórias que viabilizem a estabilização política do governo, sem resolver os problemas de fundo da população.
c)      È mais uma forma de arrancar recursos dos trabalhadores e das classes médias, empurradas a adquirir no mercado serviços pelos quais já contribui para o erário público, caindo na mercê da ganância de empresários inescrupulosos que forçam a venda de planos de saúde baratos. O que fazem as custas do arrocho na remuneração de médicos e outros prestadores de serviços de saúde e da gestão não ética das despesas como sistemáticas recusas e delongas de atendimento, como recentemente já foi apontado por pesquisa encomendada pela Associação Paulista de Medicina (APM) e Associação Médica Brasileira (AMB).
d)      Avilta o principal recurso de um sistema de saúde, que são os seus trabalhadores, que perdem conquistas históricas como a estabilidade, gerando intensa rotatividade e perda da autonomia profissional. Perde, com isso, a qualidade do cuidado, que depende da manutenção de vínculos com a clientela, da educação permanente e aprimoramento profissional que se revertem para a melhoria da atenção.
Consideramos o SUS uma política social justa e democrática.  Apontamos o criminoso descompromisso com o SUS e o verdadeiro desmonte realizado desde 1989 pelos sucessivos governos, seja pelo insuficiente financiamento ou a utilização da máquina pública para finalidades eleitoreiras e particulares. A contribuição que aportamos ao Estado, fruto do trabalho de milhões de brasileiros, deve ser retornada a todos nós sob a forma de serviços que garantam a saúde de todos nós, brasileiros, a partir de princípios democráticos pelos quais lutamos com tantos sacrifícios ao longo de nossa história. E não para favorecer empresas que nascem a sombra e estimuladas pelo Estado.

Assinam este Manifesto

Maria de Fátima Siliansky Andreazzi – UFRJ
Maria Inês Souza Bravo -                      UERJ
Carlos Octavio Ok Reis
Maria Valéria Correia                          UFAL

Para assian, enviar email para:  mibravo@uol.com.br

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Xenofobia, Ameaça Escola de Samba em SP

Escola de samba é ameaçada por homenagear nordestinos
Vermelho
A escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi afirma ter recebido e-mails com conteúdo discriminatório por causa do enredo escolhido para o carnaval 2011: “Oxente, o que seria da gente sem essa gente? São Paulo: a capital do Nordeste!”. A agremiação da Zona Norte registrou um boletim de ocorrência no dia 17 de dezembro na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
O diretor jurídico da Tucuruvi, Carlos Malachim, conta que decidiu procurar a polícia por causa de mensagens repetidas, enviadas através de e-mails diferentes. “Os primeiros acabamos deletando e, como foi reincidente, o cidadão manda o mesmo texto com e-mails diferentes, decidimos registrar o boletim de ocorrência”, disse. Segundo o diretor, a mensagem critica a escolha do enredo da escola.

Na sexta-feira (24), um novo e-mail com ameaças foi recebido pela Tucuruvi e, nesta segunda-feira (27), outra mensagem continha, como descreveu o diretor, “um festival de palavrões”. Malachim afirma que, nesse último, a pessoa ameaça “acabar com o pessoal que está defendendo o enredo”. Ele leu um trecho do e-mail para a reportagem: “Tomara que esse carnaval seja o pior de todos da escola. É o que desejam todos os paulistas separatistas”. O remetente assina como “São Paulo é meu país”.
Uma mensagem de intolerância contra o enredo da escola também foi encaminhada para a Ouvidoria da São Paulo Turismo (SPTuris), responsável pela organização do carnaval. A assessoria da SPTuris confirmou que o e-mail foi recebido no dia 7 de dezembro.
O presidente da escola, seu Jamil, comentou os e-mails ofensivos. “Tiveram várias ameaças para a escola não desfilar e, se a gente falasse alguma coisa, eles iriam revidar. Esse pessoal que usa essas artimanhas é covarde, são pessoas que não têm escrúpulos”, afirmou. Ele acredita que “uma ou duas pessoas” podem ser responsáveis pelas mensagens.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, dois e-mails já apresentados na delegacia pela escola foram enviados através do campo de contato no site da agremiação. A polícia tenta descobrir o IP (protocolo de internet) para chegar ao responsável pelas mensagens. Segundo Malachim, uma pessoa mandou um e-mail também nesta segunda-feira se identificando como suposto autor de algumas mensagens. Esse e-mail será também repassado à polícia.
Malachim diz que, apesar das mensagens, não houve reforço na segurança da escola. “Não há necessidade disso, não estamos nos escondendo de ninguém”, defende. O diretor acredita que o problema é também reflexo do “crescimento da escola”. “Ano passado fizemos um carnaval impecável. Em função de a escola ter ficado em evidência, chamou a atenção”, afirma. Para ele, o episódio não abalará a agremiação durante os preparativos para o carnaval 2011. “Isso só vem fortalecer a escola.”
 
 
 

Samba Enredo 2011 - Oxente, o Que Seria da Gente Sem Essa Gente? São Paulo, a Capital do Nordeste!

G.R.C.S.E.S Acadêmicos do Tucuruvi

Vou embarcar nessa aventura
Em busca de um lugar ao sol
Trago no peito desafio esperança
Na bagagem a lembrança
Sonho ou realidade?
Vou construindo ilusão
Erguendo os pilares da cidade
Deixando marcas da minha tradição
Ao som do tambor, a fé em louvor... religião
Oxente festeria, acende a fogueira... é são joão
Vem, vem provar
O sabor que vem de lá
Esse gosto, esse tempero
É o gosto brasileiro
Da sanfona um acorde
Tocou forte o coração
Olha o povo dançando pra lá
Arrastando a sandália pra cá
O forró tá danado de bom
Um sorriso é a moldura do meu traço cultural
Quando agente se encontra
A mistura é natural
Carrego na alma a bravura
E o orgulho de ser quem eu sou
Vai meu samba, vai ... reconhece meu valor
Sou cabra da peste, vim lá do nordeste
São paulo é minha capital
Levando alegria, eu vou por ai
Eu sou valente, sou tucuruvi

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 195

Quando a situação chega a um esgotamento, recebemos informações de todos os lados, não só a denuncia da mãe, que postou comentário no Nova/Velha 160 ontem, que eu coloquei na serie que venho fazendo, mas hoje logo cedo recebi de um grupo de funcionários a denuncia  de que quem denuncia a instituição, ou é perseguido ou exonerado da FEBEM.

Lembro nesse momento, uma situação recente e publica que ocorreu no Seminário Encarceramento em massa , organizado pelo Tribunal Popular, o depoimento de uma funcionaria que emocionada falou de tal situação na instituição.

Uma sociedade que pensa em algum grau de sociabilidade, não pode nem deve permitir a existência de uma instituição como essa!

Em SP, Transporte vai custar mais que o dobro para a baixa renda

Prazo para recarga com o preço atual de R$ 2,70 termina nesta terça-feira

São Paulo - O  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calcula que o impacto do aumento do transporte público em São Paulo, de R$ 2,70 para R$ 3, nesta quarta-feira (5), chegará em dobro para as famílias de baixa renda.
De acordo com a coordenadora de pesquisa de preços do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, a elevação custará 0,52 ponto percentual a mais no bolso das famílias de menor renda, que utilizam mais o transporte coletivo que o individual. No geral, o transporte para essas pessoas representa 4,65% no orçamento mensal.
Já para as de maior renda, o impacto será de apenas 0,22 ponto percentual (pesando 1,97% no  orçamento). Na comparação, uma família de baixa renda pagará mais que o dobro pelo transporte em relação à de maior renda.

O reajuste foi confirmado no dia 28 de dezembro do ano passado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Com o novo valor a tarifa ficou 11% mais cara e representa o dobro da inflação estimada do período. Segundo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, ficará em 5,9% no acumulado de 2010. Os R$ 0,30 a mais no bilhete também elevarão em 0,33 ponto percentual a inflação no município.
Por enquanto, a tarifa do Bilhete Único de integração entre os ônibus municipais e metrô vai de R$ 4,07 para R$ 4,29, mas só enquanto o bilhete do metrô custar R$ 2,65.

Os passageiros de São Paulo têm até esta terça-feira (4) para recarregar o Bilhete Único com o preço atual de R$ 2,70. O máximo que os passageiros podem acumular no Bilhete Único é R$ 200. Essa quantia poderá ser utilizada de acordo com o preço antigo até o término do valor. Não existe um prazo para a validade do crédito.

Protestos

Um abaixo-assinado online contra o aumento da passagem de ônibus  e a favor da melhoria do transporte público da capital paulista foi criado e conta com 3.528 assinaturas (até as 17h de terça-feira). 

O Movimento do Passe Livre (MPL) convocou uma manifestação contra o aumento para o dia 13 de janeiro, às 17h, em frente ao Teatro Municipal.

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 194

Dr. Giva,
Sou uma mãe desesperada,sou da região de Campinas e meu filho está na Fundação Casa de Sorocaba/SP e todo domingo nas visitas eu o encontro com hematomas, mas ele tem medo de confessar e apontar os culpados. Com o coração de mãe te peço ajuda: Como agir? Onde procurar? O que devo fazer? Me socorre... Me oriente pelo amor de Deus.

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 193 resposta para FEBEM

Caro@ Lucas,

Não sei como qualica-lo de jornalista, bedel ou bate pau, mas pelo nosso encontro e a sua atitude naquele dia, a única impressão que me deixou é de ser bate pau!  

Você me pede uma coerência, que claro você e  a FEBEM nunca tiveram, mas você que acompanha meu blog, sabe que todas as vezes que errei sobre a FEBEM, coisa rara, se ao estou enganado, das vezes, publiquei errei em nome não da tua ética, mas da minha consciência, que é pautada pela luta por uma sociedade que tem como perspectva a superação de toda e qualquer opressão. Todos os direitos de reposta que você pediu, não formalmente e  eu dei, não por obrigação como você bem disse, mas para que você pudesse desfilar a suas mentiras aqui e nós pudéssemos ao menos debater, coisa que sua presidente fugiu das  três vezes que foram marcados debates comigo e você sabe disso!

E se você lembra disso, se não lembra a sua carta/e-mail esta publicada em meu blog, me convidando para tomar café nos labirintos da FEBEM, achando que pode, como a instituição fez com outras pessoas, me comprar com os seus rapapés e tapetes vermelhos!

Esse debate é publico e legal, se o quiser fazer terá que ser publicamente e nas instâncias legais, alias essas que a FEBEM e o Brasil tem sido constantemente condenados!

Já falei em outras ocasiões meu caro, que foram poucas( acredito que três) das mas de 100 denuncias que fiz aqui,  se estou fazendo uma denuncia vazia, me processe, por esta maculando a imagem dessa sua instituição carcomida e torturadora de adolescentes!

Fácil, me processe!


Voltarei com mais informacoes sobre esse caso!



A denuncia que apresentei aqui , veio do CEDECA Limeira, seu presidente Samuel Gachet, que  não se esconde e se dispõe a ir em instâncias competentes , desde que não sejam da instituição FEBEM, para reforçar a denuncia!

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 193 resposta da FEBEM

Givanildo, os adolescentes estavam tão tranquilos que até assistiram à queima de fogos. Mais uma vez, você publica coisas sem provas e com base no ouvi dizer. Como você nem jornalista é, não posso cobrar que faça o ofício decentemente, ouvindo os dois lados e checando informações.

Somente respondo - o que, creio, nem valha a pena - por dever de ofício.

Feliz 2011

Lucas Tavares
Coordenador de Comunicação Social da Fundação CASA

O colapso do sistema prisional

O Estado de S.Paulo
As Polícias Civil e Militar estão prendendo cada vez mais e a Justiça criminal está ampliando significativamente o número de condenações, demonstrando assim maior eficiência no combate à criminalidade, mas os governos federal e estaduais não estão expandindo o sistema prisional no mesmo ritmo. O resultado inevitável é o crescimento vertiginoso do déficit de vagas nos superlotados estabelecimentos penais, que não têm condição de receber mais presos. Entre 2005 e 2007, a população carcerária masculina cresceu 16,2%. No mesmo período, a população carcerária feminina aumentou 27,52%.
As informações constam do 4.º Relatório Nacional sobre Direitos Humanos, elaborado pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), em parceria com a Comissão Teotônio Vilela. Integrado por professores e pesquisadores da USP, o NEV é um dos mais antigos e respeitados centros de pesquisa especializados em sociologia criminal da América Latina.
Segundo o estudo, a taxa média de ocupação do sistema prisional passou de 1,4 para 1,8 prisioneiro por vaga, entre 2005 e 2007. Com quase 500 mil pessoas presas, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo. Só fica atrás dos Estados Unidos, que têm 2,3 milhões de presos, e da China, com 1,7 milhão. Dos quase 500 mil presos, 56% já foram condenados e estão cumprindo pena e 44% são presos provisórios, que aguardam o julgamento de seus processos. Pelas estimativas do Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça, o déficit no sistema prisional é de 180 mil vagas. Como há mais presos do que as penitenciárias e cadeiões têm condição de comportar, quase 60 mil pessoas se encontram encarceradas em delegacias, que não dispõem de infraestrutura adequada. Além disso, há cerca de 500 mil mandados de prisão expedidos pela Justiça que não foram cumpridos.
A crise do sistema prisional foi agravada no decorrer da década pelas mudanças ocorridas no perfil da criminalidade. Entre 2000 e 2010, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de presos por envolvimento com o tráfico de drogas passou de 9% para 22% da população carcerária. Entre outros motivos, isso ocorreu porque, em face da expansão do narcotráfico, em 2006 o Congresso aumentou o rigor da legislação penal, elevando a pena mínima de três para cinco anos de reclusão para os traficantes e limitando a concessão de liberdade provisória.
A conjugação de sanções mais rigorosas e menos benefícios com investimentos insuficientes na construção de novas penitenciárias está levando o sistema prisional ao colapso. "As prisões brasileiras apresentam condições deploráveis", diz o sociólogo Fernando Salla, um dos coordenadores do documento elaborado pelo NEV, com a colaboração da Comissão Teotônio Viela. O problema atinge quase todos os Estados. Para enfrentá-lo, o Conselho Nacional de Justiça promoveu mutirões em 17 Estados, entre 2008 e 2009, e passou a estimular os juízes criminais a reduzir o número de prisões provisórias, aplicar penas alternativas e permitir o monitoramento de presos de baixa periculosidade, por meio de tornozeleiras eletrônicas. No entanto, os resultados dessa iniciativa ficaram abaixo das expectativas.
A superlotação das prisões prejudica a imagem internacional do Brasil. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos tem feito inspeções no País. Das três condenações que o Brasil já sofreu na Corte Interamericana de Direitos Humanos, uma decorreu dos maus-tratos e das condições degradantes do sistema prisional.
Por causa da superlotação, os estabelecimentos penais não conseguem reeducar os presos, para que possam voltar ao convívio social. E esse é um dos fatores responsáveis pela alta taxa de reincidência criminal no País, que se situa em torno de 70% - ante 16% na Europa e nos Estados Unidos.
Quando assumiu a presidência do CNJ, há oito meses, o ministro Cezar Peluso afirmou que o sistema penitenciário brasileiro está chegando à "falência total". O relatório preparado pelo NEV avaliza a advertência. 


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Velha/Nova Febem/Fundação Casa 193

O presente do ano novo para os adolescentes UI Paulista Vila Maria, foi mais do mesmo, da situação que já vivem os adolescentes, desde que a famigerada instituição foi criada a mais de 30 anos.

Segundo informação, que acabo de receber, diversos adolescentes foram torturados na noite de sábado (01/01/2011), nesse momento estão de tranca(castigo) e  muito machucados  na unidade.

Penso não ser possível mais ignorar a situação dessa instituição, que vem perdurando ao longo de quatro décadas, sem que nada aconteça para cessar essa situação de opressão que vivem os nossos adolescentes, que vão de forma ilegal para essa instituição e tem as suas vidas definitivamente comprometidas, pelo sofrimento que toda a opressão sofrida ocasionou em suas vidas, sem que os responsáveis, que temos que identificar muito claramente que estes são os ideólogos e gestores da politica, sejam responsabilizados por esses crimes cometidos!  

domingo, 2 de janeiro de 2011

Modelo de UPP do Rio falha em Medellín



Combate à violência de cidade colombiana foi base para a criação das Unidades de Polícia Pacificadora cariocas

Projeto da Colômbia já mostra sinais de regressão, com volta do crescimento dos homicídios na cidade

RODRIGO RÖTZSCH
DO RIO

Numa operação de guerra, as forças de segurança tomam o conglomerado de favelas que constitui o principal bastião do tráfico na cidade. Depois, instalam bases permanentes, que permitem a chegada de outros serviços sociais e jurídicos e a realização de obras para melhorar a vida na comunidade.
Esse roteiro poderia descrever o que está em andamento no Complexo do Alemão, no Rio, e em outras favelas "pacificadas" da cidade. Mas resume o que aconteceu a partir de 2002 na Comuna 13, conjunto de 25 favelas em Medellín, cidade colombiana que já foi considerada a mais violenta do mundo.
O combate à violência em Medellín é modelo inspirador assumido da política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro. Vem da cidade colombiana também a inspiração para obras como o teleférico do Alemão.
Só que a história de sucesso de Medellín começou a ruir há dois anos, quando a violência voltou a crescer.
Após queda, entre 2002 e 2007, de 184 para 33,8 por 100 mil habitantes, a cidade viu a taxa de homicídios voltar a subir, chegando a 94,5 no ano passado.
Diante da realidade dos números, especialistas e autoridades começaram a reavaliar o que até então era considerada uma receita de sucesso. Hoje há um consenso que os índices de mortalidade caíram mais por um arranjo entre os narcotraficantes, que suspenderam suas disputas internas em prol do negócio, do que pelas UPPs à colombiana e outras medidas instaladas.
Mas a inversão da tendência de queda da violência em Medellín não impediu as autoridades do Rio de Janeiro de continuar citando a cidade como exemplo. No evento neste mês em que assinou convênio para a instalação de postos avançados de serviços judiciários em favelas pacificadas -outra iniciativa que emula Medellín-, o governador Sérgio Cabral disse: "Essa população que ficou ao deus-dará por anos terá justiça. Se em Medellín é possível fazer, por que nós não faremos no Rio?"
O comandante das UPPs, coronel Robson Rodrigues, disse à Folha que a experiência de postos de polícia na Comuna 13 é um modelo para as UPPs. "Há características comuns, como a mortalidade de jovens do sexo masculino nessas comunidades mais carentes."
Rodrigues afirmou, porém, que a cidade colombiana enfrenta alguns "probleminhas" que a diferenciam do Rio. "Os indicadores criminais começaram a crescer. É uma realidade diferente das nossas UPPs aqui, porque nas nossas UPPs os indicadores despencam. O crime de homicídio não existe quase. Lá ainda existe isso."
No primeiro ano das UPPs, porém, o índice de homicídios por 100 mil habitantes no Rio ficou praticamente estável -foi de 34,7 a 34,6. Em Medellín, embora partindo de uma base mais alta, houve queda de 184 para 98,2.

Fonte: FSP

sábado, 1 de janeiro de 2011

Violações levaram governo à ONU e macularam para sempre o nome de Hartung na história


José Rabelo



Um dos acontecimentos que mais marcaram o governo Hartung nesses oito anos foram, sem dúvida, as denúncias de violações de direitos nos presídios capixabas que saíram das divisas capixabas, romperam as fronteiras do País, cruzaram o Atlântico e foram parar em Genebra, na ONU (Organização das Nações Unidas).
Hartung foi surpreendido pelas denúncias. O poderoso governante não esperava que as “inofensivas” entidades de direitos humanos capixabas teriam força para levar os casos de violações de direitos nos presídios e nas unidades de internação de adolescentes às cortes internacionais. Prepotente, o governador só percebeu o tamanho da avaria quando o assunto começou a ocupar as primeiras páginas dos principais jornais do País e a repercutir até na imprensa internacional.
As manchetes dos jornais de 15 de março de 2010, uma segunda-feira, anunciavam que as masmorras de Hartung começariam a ser abertas - referindo à reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU que iria tratar das denúncias sobre violações de direitos nos presídios capixabas. O mundo estava prestes a descobrir por que o governo do Espírito Santo, em pleno século XXI, ainda compactuava com histórias de torturas físicas e psicológicas, castigos e suplícios.
Desesperado, o governador fez de tudo para estancar a crise que se anunciava. No domingo (7) anterior, o jornalista Elio Gaspari publicava um contundente artigo (“Folha de São Paulo e “O Globo”) criticando a situação dos presídios capixabas (“As masmorras de Hartung aparecerão na ONU”). O artigo de Gaspari, que enfiava sem cerimônias o dedo na ferida mais aberta do governo Hartung, foi “censurado” no jornal de maior circulação no Estado (“A Tribuna”). Entretanto, os estrategistas do governo encarregados de blindar Hartung dos ataques se esqueceram que hoje as pessoas têm acesso à internet e as bancas da Capital (pelo menos) também vendem jornais de outros estados. Resultado, a emenda saiu pior que o soneto: os leitores do jornal “censurado” se sentiram traídos e a ação da assessoria do governo foi classificada como uma tremenda pixotada.

Quando ainda tentava se aprumar do duro golpe de Gaspari, o “comitê de crise do governo, na segunda (8), foi à lona novamente com o programa jornalístico Repórter Record - que inclusive foi um dos indicados para o Prêmio Esso de Jornalismo 2010. A emissora do bispo Edir Macedo não teve piedade do governador e levou ao ar imagens impressionantes dos presídios capixabas. Desde que o programa foi produzido, no final do ano passado, a assessoria de Hartung que cuida da imprensa “de fora” fez das tripas coração para tentar impedir que a reportagem fosse ao ar. Histórias de bastidores dão conta que a equipe de jornalismo da Record sofreu muita pressão para garantir a veiculação do programa.
De março para cá, Hartung passou a levar “mais a sério” as entidades de direitos humanos, no sentido de vigiá-las, e passou a reforçar a propaganda institucional para tentar apagar a mácula de governante torturador de presos.
Nesses últimos nove meses de governo, Hartung tem usado a imprensa corporativa para divulgar os investimentos na área prisional e tentar apagar o estigma de violador de direitos humanos. Agora ele quer ser reconhecido como o governador empreendedor que mais investiu em presídios nos últimos anos.
Antes da ONU
As denúncias que acabaram levando o governo Hartung à ONU começaram a ganhar força pelo menos um ano antes. Em abril de 2009, o então presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), Sérgio Salomão Shecaira, veio ao Estado para averiguar as denúncias de torturas e esquartejamento de presos que foram feitas pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos. Perplexo com o que viu, Shecaira cobrou providências imediatas das autoridades locais e encaminhou um contundente relatório à Corregedoria Nacional e demais entidades competentes, entre elas o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O relatório de Shecaria foi o primeiro a escancarar, sem nenhum filtro, a realidade das masmorras de Hartung. O histórico documento do presidente do CNPCP serviu de base para a formulação de novas denúncias de violações de direito e trouxe ao Estado sucessivas comitivas nacionais e internacionais que queriam ver para crer se as barbaridades denunciadas por Shecaira eram reais.
No mês seguinte, os membros do Conselho Nacional de Defesa da Criança e do Adolescente (Conanda) vieram conferir as denúncias de Shecaira referentes às irregularidades também encontradas nas unidades de internação de adolescentes em conflito com a lei, onde, nos últimos meses, três adolescentes haviam sido executados. No mesmo mês de maio, o CNJ enviou para o Estado dois juízes incumbidos de inspecionar os presídios e as unidades de adolescentes. Nos dois casos, os juízes classificaram os espaços como meros locais de confinamento, suplício e sofrimento. Segundo eles, condições que inviabilizam qualquer processo de ressocialização.

Campos de concentração
À época, indignado com a passividade do governo do Estado frente a uma situação tão grave, Shecaira desabafou: “Poucas vezes na história seres humanos foram submetidos a tanto desrespeito”. Para encontrar precedentes semelhantes na galeria de horrores na história recente da humanidade, Shecaira comparou o sistema carcerário do Espírito Santo aos campos de concentração nazistas que exterminavam judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
O flagrante desrespeito aos direitos humanos e o tratamento desprezível que as autoridades locais deram ao problema não ofereceram alternativa ao presidente do CNPCP, que sugeriu ao então ministro da Justiça, Tarso Genro, ainda em abril, a intervenção federal no Espírito Santo.
O pedido de Shecaira gerou um desconforto muito grande para o governador Paulo Hartung, que articulou uma saída política para o imbróglio. As manobras de Hartung conseguiram neutralizar o relatório de Shecaira, que sugeria a intervenção no Estado. Até hoje, o documento continua engavetado na escrivaninha do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, à espera de um parecer.
Contrariado com a maneira condescendente com a qual o governo federal tratou as denúncias nos presídios capixabas, o professor Shecaira preferiu deixar a presidência do CNPCP. “Infelizmente, o Ministério da Justiça não me deu o respaldo esperado para resolver os problemas no sistema carcerário do Espírito Santo. Não me restou alternativa, a não ser sair”, lamentava-se Shecaira, em agosto de 2009, após deixar o Conselho.
‘Outra ficção’

Para tentar minar a repercussão das violações levadas à ONU, Hartung chegou a declarar, em agosto deste ano, que as denúncias eram “outra ficção”. A afirmação comprova que Hartung nunca levou a sério as torturas, os esquartejamentos e outras barbaridades que foram praticadas dentro do sistema prisional capixaba durante a sua gestão.
Ao fazer a descomedida declaração, o governador insinuou que o dossiê apresentado à comunidade internacional pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) e pelas ONGs Conectas e Justiça Global, não passa de um relatório secundário de pouca (ou nenhuma) importância.
Não só isso. Ao desqualificar denúncias tão graves, o governador rasgou a Constituição Federal e os tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário. Mais que isso, a declaração foi um afronte impiedoso às mães, às esposas e aos filhos de diversos detentos que foram cruelmente assassinados dentro dos presídios do Estado ou que deixaram as masmorras amparados em muletas e cadeiras de rodas. Homens que vão carregar para os restos de suas vidas as sequelas desse brutal sistema que leva a assinatura do governador Paulo Hartung
Dos contêineres às masmorras hi-tech 

O uso de contêineres como solução barata e rápida para gerar vagas no sistema prisional foi outra decisão que revelou que o governo Hartung não tinha nenhum compromisso com os direitos humanos.
Alegando que o caixa estava vazio, o governador passou a usar as masmorras de lata para depositar homens, mulheres e adolescentes.

Depois que os contêineres viraram escândalo nacional, Hartung passou a procurar culpados para se esquivar da responsabilidade. Disse que a ideia dos contêineres partiu do então secretário de Segurança Evaldo Martinelli. Alegou ainda que essa medida emergencial só foi tomada porque o governo federal não repassou recursos para o sistema prisional capixaba. Depois, para sepultar de vez o assunto contêiner, destacou que o seu governo estava fazendo os presídios mais modernos do Brasil.
Os argumentos apresentados pelo governador para justificar a adoção dos contêineres são todos falsos. Hartung tratou o assunto contêiner como uma medida adotada no início do seu primeiro mandato (2003), quando o caixa estava vazio. Na verdade, os contêineres passaram a ser instalados em maio de 2005, portanto, às vésperas do seu segundo mandato, quando o caixa do governo já estava bem reforçado.
Segundo, se Evaldo Martinelli foi mandado a Santa Catarina para conhecer as prisões-contêineres, o fez com o consentimento do governador. Foram comprados inicialmente 93 contêineres ao custo de R$ 5,2 milhões, ou seja, R$ 55,9 mil a unidade. O governo gostou tanto da solução barata de depositar presos em contêiner que decidiu replicá-la para todos os segmentos prisionais do Estado, inclusive às unidades de internação de adolescentes em conflito com a lei.
O último argumento de Hartung - que transfere a responsabilidade pela adoção das celas metálicas ao governo federal, ao justificar que não recebeu repasse - também é descabido. Em abril de 2009, quando as denúncias do então presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) Sérgio Salomão Shecaira chegaram a Brasília, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu ajuda ao governador Hartung. Contrariado com a escandalosa situação dos presídios capixabas, que a essa altura já ecoava mundo afora, Genro cobrou mais empenho do governador para resolver o problema. O ministro precisou lembrá-lo que, desde 2003, o governo federal havia assinado 14 convênios e repassado cerca de R$ 26 milhões para ser investido no sistema prisional capixaba.
Somente no final de agosto deste ano, por determinação do Conselho Nacional de Justiça, é que as prisões contêineres foram desativadas. Na “nova era” de construção de presídios-hi-tech, para substituir os contêineres, surgiram os CDPs (Centros de Detenção Provisória).
Acuado pela comunidade internacional, por parte da imprensa, pelas entidades de direitos humanos locais, nacionais e até internacionais, e pelos conselhos nacionais, como o próprio CNJ e o CNPCP, Hartung procurou um meio de transformar os impopulares gastos com construção de presídios em um bom negócio.
Nos últimos dois anos, Hartung passou a ser conhecido como o governador construtor de presídios. Para por o plano em prática, Hartung passou a contratar praticamente duas empresas sempre sem licitação, a DM Construtora e Obras e Verdi Construções, ambas do Paraná. Ao todo, segundo o governo, foram gastos mais de R$ 420 milhões para construir 23 unidades.
Os novos CDPs, conhecidos também como “Centros de Depositar Pessoas”, são considerados pelos seus defensores como a última palavra em sistema prisional. Pela a apresentação de uma unidade recém-inaugurada pelo secretário da Justiça Ângelo Roncalli – que permanece no novo governo de Casagrande na mesma Secretaria, mas com outro nome -, é possível perceber que a visão de presídios como depósitos humanos prevalece. “A nova unidade conta com projeto arquitetônico diferenciado. A estrutura do prédio de detenção foi erguida com fibras de polipropileno e fibra de vidro e em concreto de alto desempenho, o que exige baixo custo de manutenção. As paredes em monoblocos dispensam o uso de vergalhões que, em unidades prisionais comuns, muitas vezes podem virar armas. O sistema de monitoramento também é mais seguro, uma vez que os agentes penitenciários não precisam entrar em contato direto com os internos. Os agentes circulam por uma passarela, instalada no pavimento superior, o que permite ampla visão das galerias”, descreve.

Segundo Roncalli, além do investimento na qualidade da estrutura física das unidades, também serão adotados procedimentos que garantam o rigor disciplinar na unidade. “Vamos seguir aqui o modelo de gestão que vem sendo implantado nas demais unidades prisionais do Estado”.
Na prática, os novos CDPs viraram um excelente negócio para empresários e oportunistas do governo que se aproveitam dos contratos milionários e sem licitação para enriquecer. A preocupação, como o próprio Roncalli explica, é assegurar a tecnologia hi-tech que trata os presos como uma espécie de mercadoria e continua a violar os direitos humanos.
Ainda essa semana, o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Bruno Alves Toledo, criticou o modelo de ressocialização que vem sendo adotado pelo governo do Estado. “Em julho, convocamos todas as pessoas envolvidas na ressocialização no Estado e descobrimos que todos os programas não atingem mais de 15% da massa carcerária, que é de cerca de 12 mil presos”.
Ele destacou também que a discussão sobre sistema prisional não se restringe à parte física dos presídios, como propõe Roncalli, mas a outras questões, mais amplas. “A questão da violência, da impunidade e a morosidade. A partir de janeiro, teremos estruturas muito boas, mas continuamos com violência enorme e com uma Defensoria Pública com pouquíssimos profissionais”, afirmou.
O presidente do CEDH também lembrou que o regime disciplinar em funcionamento nas unidades é equivocado porque dá o mesmo tratamento aos diferentes tipos de detentos, estejam eles em regime semiaberto, fechado ou provisório (aguardando julgamento). “No centro de detenção provisória a pessoa só pode receber visitas quinzenais e só com um vidro no meio e todas ficam 46 horas dentro da cela para terem banho de sol de duas horas.”
Ultrapassado
O modelo de CDP adotado pelo Espírito Santo que, na visão provinciana do governador é a última palavra em unidade prisional, está sendo desativado nos países desenvolvidos. A exemplo das penitenciárias americanas construídas na década de 70, os presos confinados nos CDPs praticamente não saem das celas de 2m X 3m, conforme denunciou o presidente do CEDH. As marmitex são entregues por um buraco na porta da cela para evitar que o preso tenha qualquer contato com o detento. Dentro das celas os presos se alimentam, dormem e fazem suas necessidades fisiológicas.
E comum faltar água nos novos CDPs, que são abastecidos por caminhões pipas, porque os lugares retirados não contam com abastecimento da Cesan. Quando isso ocorre, o cheiro nas celas fica insuportável, porque o mesmo lugar que serve de “refeitório” serve também de banheiro.
Nos Estados Unidos o mesmo modelo adotado no Estado, que lá é conhecido como prisões Super Max, foi duramente criticado pela ONU em 1996, que considerou o modelo "desumano e degradante".
CDP de Serra
Logo que o CDP de Serra foi inaugurado, em outubro de 2009, a reportagem de Século Diário acompanhou a inspeção dos representantes do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) à unidade.

Novo em folhas, à época, o CDP estava limpo e organizado com a ajuda da tecnologia - conforme demonstrou o diretor aos visitantes na sala de controle. A moderna unidade, a exemplo das antigas masmorras de Novo Horizonte ou da Casa de Custódia de Viana, também não oferece nenhum programa de ressocialização aos detentos. De acordo com as normas da Sejus, entre outras restrições, os internos são obrigados a andar sempre em fila de cabeça baixa e com as mãos para trás (na verdade, algemados); os cabelos são cortados com máquina 3; as correspondências que chegam aos presos são analisadas primeiramente pelo Serviço Social da unidade; as visitas são recebidas no parlatório [cabines que separam o preso do familiar por uma película de policarbonato (espécie de acrílico), e que só permite o contato por meio de um interfone; não há contato físico com familiares e muito menos visitas íntimas; o contato com os advogados também é pelo parlatório; os presos só podem receber visitas após 30 dias; as visitas duram 20 minutos.
Condenados
Embora a unidade tenha sido criada para receber apenas presos provisórios, como o próprio nome propõe (Centro de Detenção Provisória), é comum as unidades abrigarem presos condenados. Advogados criminalistas que circulam pelos CDPs afirmam que há diversos presos condenados nas unidades provisórias.
Em termos assépticos, não dá para negar que os CDPs, se comparados às antigas masmorras, dão a impressão, aos mais desavisados, de evolução. Conversando com os presos, no entanto, eles demonstram insatisfação com as novas instalações milionárias. “A pior coisa aqui é a visita, que praticamente não tem. Acho que a minha família nem sabe que estou aqui”, disse um dos internos. Outro contou que recebeu a visita da mulher, mas reclamou da falta de contato físico. “Esse negócio de botar um vidro no meio e a gente ter que conversar por telefone é para preso perigoso. Rodei por tráfico e ainda não fui julgado, acho que não tinha precisão de me colocar num presídio de segurança máxima”, disse o preso se referindo às regras rígidas do CDP que são semelhantes às de um presídio de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
“Olha, senhor, eu preferia Novo Horizonte. Aquilo era um inferno, mas pelo menos tinha visita e malote”, disse o outro preso. “O senhor acha que a gente vai sair daqui melhor?”, questionou o mesmo jovem que disse ter apenas 19 anos.
“Talvez, com o tempo, vocês percebam que esse também não é o melhor caminho para a ressocialização”, disse na ocasião da visita ao CDP da Serra a secretária do CDDPH, Juliana Gomes ao diretor da unidade. Sem querer polemizar ou por não reunir conhecimento para debater a questão pelo viés “filosófico” das prisões que se preocupam apenas em vigiar e punir, o diretor preferiu fugir da resposta: “Pode até ser... Na verdade, eles reclamam porque aqui não podem receber malotes e ter visitas íntimas. Como aqui não entra nada e muitos são dependentes de drogas, eles entram em crise de abstinência e ficam revoltados”, resumiu.

A procuradora Ivana Farina, do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União e representante do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), que também participou da inspeção de 2009, disse que de 2006 para cá [2009] – ano em que integrou outra comissão do CDDPH ao Estado – as violações aos direitos continuam no Espírito Santo. “A única novidade que percebi foram as construções desses CDPs, como este que visitamos na Serra. Embora limpos, os CDPs também não cumprem a Lei de Execuções Penais (LEP)”. A procuradora também fez críticas ao modelo disciplinar proposto no CDP. “Esse modelo, embora ofereça alguns avanços no que se refere às instalações físicas, vai acabar gerando mais agressividade nos internos, porque não há proposta de ressocialização”.