Infância Urgente

sábado, 15 de novembro de 2008

V MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA 120 ANOS DA FALSA ABOLIÇÃO

DATA: 20 DE NOVEMBRO – FERIADO MUNICIPAL

CONCENTRAÇÃO: A PARTIR DAS 10H NO VÃO LIVRE DO MASP

O Feriado Municipal de 20 de novembro, próxima quinta-feira, terá como um dos principais eventos relacionados à data, a V MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA.

A já tradicional Marcha, terá concentração no Vão Livre do Masp (Avenida Paulista), a partir das 10h. Diversas entidades do Movimento Negro Paulistano estão na coordenação esperam, a exemplo dos anos anteriores, um grande contingente de participantes.


ROTEIRO DA V MARCHA:

· 10H – Concentração no Vão Livre do Masp

- No local haverá atividades culturais: samba, hip-hop, capoeira.

· 13H – Culto Intereligioso e Ato Político;


· 14H – Caminhada até o Teatro Municipal de São Paulo;


· 17H – Encerramento da V Marcha da Consciência Negra – 2008.

COLETIVA COM A IMPRENSA : Dia 17 de novembro na Secretaria da Justiça no Espaço da Cidadania André Franco Montoro - Pateo do Colégio, 184 . Térreo - Centro. Horário 9h30 às 10h30h. Presença de representantes das entidades envolvidas na organização da Marcha.

ENTIDADES PARTICIPANTES DA ORGANIZAÇÃO DA V MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA:

ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Associação Cultural REGGAE, AFUBESP – Associação dos Funcionários do Banco Santander Banespa do Estado de São Paulo, APEOESP, APROFE – Associação Pró Falcenicos, APN´S – Agentes de Pastorais Negros, Batucando a vida, CEABRA – Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro Brasileiros, Circulo Palmarino, Ciranda Afro, CNAB – Congresso Nacional Afro Brasileiro, CONEN – Coordenação Nacional das Entidades Negras, CONEGRO – Itapecerica da Serra e Taboão da Serra, CNCDR – CUT, CTB – Central dos Trabalhadores do Brasil, EDUCAFRO, Embaixada do Samba – SP, Espaço Cidadão Cidade Tiradentes, Fala Negão, Força da Raça – Campinas, Fórum Estadual de Juventude Negra, Fórum Estadual de Mulheres Negras, Fórum Permanente do Movimento Negro da Região Oeste, Igualeunão Com Todos Os Direitos Iguais de Carapicuíba e Região Oeste, Instituto Baoba, INTECAB – Instituto Nacional de Cultura e Tradição Afro Brasileira, ITB – Instituto Todos a Bordo, Instituto do Negro Padre Batista, Kilombagem, Movimento Hip Hop Organizado da Zona Leste, MNU – Movimento Negro Unificado, MTF Quilombo - Itanhaem, MSU – Movimento dos Sem Universidade do ABC e da Zona Leste, Negritude Socialista do PSB, Posse Hausa, Raízes Periféricas, Rede Nacional de Afros LGBTT, Setorial de Negros e Negras da CMP, Secretaria de Combate ao Racismo do PT, SEDIN - Sindicato da Educação Infantil, SEEL – SP – Sindicato dos Trabalhadores em Editoras do Estado de São Paulo, SINPEEM – Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal, SINTCT – Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, SINTRATEL – Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing, Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, SOUESP – Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, Soweto Organização Negra, UNEGRO – União de Negros pela Igualdade; Grupo Cultural Refavela.
A Marcha da Consciência Negra já é um marco político na cidade de São Paulo!

O Movimento Negro realizou no dia 20 Novembro dos anos de 2003 e 2004, respectivamente, a primeira e a segunda Marcha da Consciência Negra.

Em 2005, dez anos depois da vitoriosa Marcha Zumbi dos Palmares – Contra o Racismo, pela Igualdade e a Vida, duas marchas para Brasília são realizadas nos dia 16 e 22 de Novembro, para comemorarmos o Zumbi +10.

No ano de 2006, fica consolidado o dia 20 de Novembro como feriado na cidade de São Paulo através da lei 13.707/2004. A Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo aprovou o dia 20 de novembro como feriado municipal em homenagem ao herói nacional Zumbi dos Palmares e em reconhecimento pela contribuição de negros e negras ao desenvolvimento do Brasil.

A Celebração do 20 de novembro é uma conquista do movimento negro do Rio Grande do Sul, através do Grupo Palmares na década de 70. A data foi assumida pelo Movimento Negro Unificado (MNU) em 1978 como referência de luta do Povo Negro e, posteriormente, incorporada por todo Movimento Negro e Movimento Social do País.

A III Marcha da Consciência Negra realizada no ano de 2006 reuniu cerca de 10 mil pessoas.

No ano de 2007 foi realizada a IV MARCHA DA CONSCIENCIA NEGRA a partir da coalizão de diversas forças do movimento negro do Estado de São Paulo, somado a sindicatos, igrejas, movimentos populares, organizações estudantis, de mulheres e de juventude com o objetivo de celebrar aquele momento 30 mil pessoas consagraram a Marcha como um importante momento da luta negra.

Nesse 20 de novembro de 2008 convidamos você a participara da V marcha da Consciência Negra junto a todos os setores da sociedade dispostos a continuar fortalecendo um amplo movimento por mudanças capazes de realizar nosso sonhos por soberania e preservação de nossos territórios, de nossas religiões, de nossas culturas, de nossas identidade e opções sexuais, de nossos projetos de vida por um novo Brasil sem racismo, sem machismo, sem intolerância religiosa e discriminação de qualquer natureza.

120 ANOS DA FALSA ABOLIÇÃO

Assinada em 13 de maio de 1888 com o intuito de extinguir a escravidão no Brasil, neste ano de 2008, a Lei Áurea completa 120 anos. Sua assinatura foi decorrência de pressões internas e externas: o movimento abolicionista já tinha grande força no país, haviam freqüentes fugas de negros, o exército já se recusava a fazer o papel de capitão-do-mato.

Além disso, estava se tornando economicamente inviável manter o trabalho escravo, em face da concorrência com a mão-de-obra imigrante, barata e abundante. O Brasil foi o último país independente do Ocidente a erradicar a escravatura. A Constituição do Império, outorgada em 1824, embora mais liberal do que várias outras Cartas monárquicas, mantinha a escravidão usando de um subterfúgio hipócrita: declarava o respeito aos direitos de propriedade, ao mesmo tempo que empregava, em certas passagens, a expressão "homens livres", o que dava a entender que nem todos eram livres, e que era legítima a propriedade sobre os não-livres.

De fato, com a abolição, mantinha-se não só a desigualdade econômica e social entre brancos e negros, mas principalmente a ideologia que definia bem a diferença entre os dois e reservava ao negro uma posição de submissão. O processo de passagem da condição de escravo para a de cidadão foi feito de maneira errada e sem se pensar o que fazer com o contingente de trabalhadores livres. De um dia para o outro, negros e negras foram declarados livres e após a abolição encontravam- se sem abrigo, trabalho e meios de subsistência. Mesmo sendo forçado, no trabalho havia a possibilidade de subsistência.

Com a libertação, não se considerou a necessidade de proporcionar- lhes meio de sobrevivência, como posse da terra para sua fixação. Sem direito a terra, estava decretado o primeiro passo para sua marginalização e desfavorecimento.

Após a abolição, a população negra parte das senzalas para as margens sociais e econômicas da sociedade. Permanecendo nas fazendas, ou migrando para os centros urbanos, a possibilidade de renda para os negros e negras verificou-se quase nula, sendo os salários quase sempre aviltados devido a grande oferta da força de trabalho.

Nesse contexto, se dá o processo de favelamento urbano e a disseminação de doenças, devido às péssimas condições de vida. Também cresce neste período a repressão policial contra a população negra.

Com o predominância do capitalismo, a população negra, vitima das consequências sociais do racismo, fica à margem do processo ou é utilizado em serviços pesados. Essa situação se reflete, para a população negra, não apenas economicamente, mas leva a um processo de marginalização social, já que preconceito e discriminação ganham, então, novos significados e espaços de atuação, voltados para a defesa desta estrutura de privilégios.

Na sociedade contemporânea, mesmo disfarçado, o racismo ainda é a forma mais explicita de discriminação na sociedade brasileira. Isso se verifica facilmente ao analisarmos dados das áreas da saúde e da educação, nos indicadores econômicos e no acesso ao saneamento básico.120 Anos de abolição e ainda tempos um intenso processo de genocídio do Povo Negro e extermínio da Juventude Negra, continuamos sendo violentados cotidianamente tendo direitos negados ,continuamos as margens da sociedade .

A história do Zumbi dos Palmares


Dia 20 de novembro, é o Dia Nacional Consciência Negra, data que consagrou o líder negro Zumbi dos Palmares.

Quem foi Zumbi dos Palmares? Líder do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência contra a escravidão que foi assassinado em 20 de novembro de 1695.

O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, nas terras da Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. Em pouco tempo, o seu ideal de liberdade e competente organização fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade.

Ate que em 1695, a expedição de Domingos Jorge Velho destruiu o Quilombo dos Palmares e assassinou Zumbi. Destruiu um território livre símbolo da resistência ao regime escravista e da consciência negra de homens e mulheres em busca da liberdade e da construção de uma nação.

Em 1995, depois de 300 anos de seu assassinato, foi realizada no dia 20 de Novembro, a Marcha Zumbi dos Palmares – contra o Racismo pela Igualdade e a Vida reunindo em Brasília cerca de 30.000 pessoas. Zumbi dos Palmares foi oficialmente reconhecido pelo governo brasileiro como herói nacional.

Recuperar o ideário de Zumbi não é apenas rememorar Palmares, mas resgatar um importante exemplo de luta e organização pela emancipação do povo brasileiro.

Um comentário:

Lucas Krauss disse...

Zumbi é o senhor da demanda.